A consulta popular sobre o Estatuto Autônomo de Santa Cruz, realizada no Estado boliviano, neste domingo, foi marcada por confrontos entre partidários da divisão do território boliviano e partidários do governo de Evo Morales, contrários à independência da região mais rica do país. No início da tarde ocorreram tumultos no Colégio Eleitoral Simon Bolívar, no bairro Plan Tres Mil, entre integrantes da União Juvenil de Santa Cruz e socialistas contrários à realização da consulta.
Um grupo invadiu o colégio e levou 16 das 19 urnas instaladas - apenas três foram deixadas. Além disso, janelas foram quebradas, pedras atiradas e algumas pessoas ficaram feridas. A Polícia Nacional chegou ao local 15 minutos depois do início do confronto. Segundo o chefe do Colégio Eleitoral, Pedro Artegas, o local tinha sofrido uma tentativa de invasão à noite pelo pessoal contrário à realização da consulta, que tentava retirar as urnas.
- Seguramente, aqui não haverá mais eleição, o que não influirá no triunfo da soberania do Departamento (equivalente ao Estado brasileiro) - afirmou.
Autonomia
O Departamento de Santa Cruz, o mais próspero da Bolívia, realizou um referendo para decidir se declara sua autonomia do governo central, no maior desafio enfrentado até agora pelo presidente do país, Evo Morales. Os dirigentes conservadores da região enfrentaram o ex-líder dos plantadores de coca ao organizar a votação, que o presidente diz ser ilegal. A autonomia iria teoricamente lhes dar mais controle sobre impostos, formulação de políticas e recursos naturais como as férteis terras cultivadas e as reservas de gás natural.
Primeiro presidente indígena do país, Evo qualifica seus rivais de racistas e separatistas. Seus partidários em Santa Cruz prometeram boicotar o referendo. Mas uma vitória ressonante do "sim" poderia forçá-lo a negociar para evitar a extensão da rebelião para outros redutos da oposição no leste, que também querem mais autonomia. A votação deste domingo é vista como uma rejeição às políticas socialistas do novo governante, em especial sua iniciativa de refazer a Constituição, com o objetivo de redistribuir grandes propriedades para camponeses e dar mais poder para a maioria indígena e pobre da Bolívia.
As tensões aumentaram antes da votação na região, de clima tropical, e os manifestantes bloquearam rodovias em Santa Cruz, queimando pneus e montes de lixo na noite deste sábado para protestar contra o referendo.