Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Constituição do Iraque pode ser assinada na próxima segunda-feira

Sábado, 06 de Março de 2004 às 16:14, por: CdB

Os dirigentes iraquianos decidiram resolver suas diferenças em primeiro lugar e esperam assinar a Constituição provisória somente na próxima segunda-feira, cuja adoção foi adiada na última sexta, depois que os xiitas rejeitaram um artigo, alegando que beneficiaria os curdos.

O Conselho de Governo transitório 'se reunirá na segunda-feira, dia 8 de março, para concluir as discussões e assinar a Constituição', afirma um comunicado assinado pelos membros do Executivo Mohamad Bahr Al Ulum (xiita), presidente em exercício; Masud Barzani (curdo), e Mohsen Abdel Hamid (sunita).

- Visto que o novo Iraque democrático oferece a possibilidade de confrontar suas opiniões para chegar a um consenso num clima democrático, o Conselho de Governo decidiu adiar sua reunião por dois dias - explica o texto.

A rejeição por parte dos membros xiitas do Conselho de um artigo da Constituição provisória adiou a assinatura solene deste texto prevista para a última sexta-feira em Bagdá. O documento é considerado 'histórico' pelo administrador civil americano deste país árabe, Paul Bremer.

- A divergência se deve ao artigo 61, parágrafo C que concede a dois terços da população de três províncias a possibilidade de rejeitar em um referendo a Constituição permanente - declarou na sexta-feira um conselheiro de Rajaa Habib Juzai, uma representante xiita no Conselho de Governo.

- Nós queremos mudar esse artigo - acrescentou.

Este artigo daria aos curdos, cuja região autônoma ocupa três províncias do norte do Iraque, a possibilidade de bloquear a futura Constituição em um futuro referendo. O Iraque, que conta com 18 províncias, tem maioria xiita.

À noite, uma fonte próxima ao grande aiatolá Ali Sistani, o líder xiita mais influente do país, expressou suas reservas sobre o texto, alegando que 'não serve aos interesses do povo iraquiano, mas apenas aos dos curdos, que estão bem organizados em suas províncias'.

A assinatura da Constituição, inicialmente programada para a quarta-feira passada, foi adiada depois dos ataques contra os xiitas em Kerbala (centro) e Bagdá, que deixaram 170 mortos e mais de 500 feridos.

O texto considera o Islã como uma das fontes da legislação e não como a única, como exigiam os islamitas xiitas.

Tags:
Edições digital e impressa