O consórcio formado por operadoras de telefonia fixa que atuam no Brasil, Calais, melhorou novamente a proposta para a compra da Embratel, mas não conseguiu convencer analistas de que sua oferta vencerá a feita pela mexicana Telmex.
A Calais elevou em 10%, para US$ 396 milhões, o pagamento mínimo garantido à dona da Embratel, a norte-americana MCI, mesmo que o negócio não seja aprovado por autoridades regulatórias, segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira.
A notícia chegou a fazer as ações ordinárias da Embratel subirem mais de 2% pela manhã, mas os papéis logo perderam fôlego. Pouco antes do final do pregão, recuavam quase 2%.
A avaliação é de que as incertezas quanto à concentração de mercado continuam sendo um empecilho para a Calais, formado por companhias que dominam o mercado de telefonia fixa no país: Brasil Telecom, Telefônica e Telemar, além da empresa de infra-estrutura de telecomunicações Geodex.
- Acho que (um eventual acordo com a Calais) teria dificuldades perante a Anatel e ainda mais perante o Cade - disse o analista Eduardo Roche, da BES Securities, no Rio Janeiro.
Para ele, o atual preço das ações ordinárias da Embratel é bastante arriscado, pois reflete um tag along superior ao oferecido pela Telmex.
No total, as operadoras fixas propõem US$ 550 milhões por 52% do capital votante da Embratel. A diferença entre esse valor e os US$ 396 milhões pagos inicialmente seria desembolsada assim que a Calais chegasse a um acordo prévio com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), segundo o comunicado.
Isso significa que, caso seja vencedora, a Calais deve pagar o valor total da aquisição bem antes do julgamento final do negócio pelas autoridades brasileiras, que pode levar anos.
Um porta-voz da MCI recusou-se a fazer comentários sobre a nova proposta do consórcio brasileiro.
Julgamento
Outra possibilidade comentada entre analistas nesta é de que a decisão final sobre o destino da Embratel voltasse às mãos da MCI, que já declarou vencedora a proposta da Telmex, de 360 milhões de dólares.
Atualmente, a palavra final sobre o negócio cabe a um tribunal de falência dos EUA, que zela pelos interesses dos credores da MCI, uma vez que a empresa norte-americana está em processo de concordata.
Matérias publicadas na imprensa norte-americana nesta segunda-feira levantaram a expectativa de que a MCI saia da concordata antes de 27 de abril, data em que credores se reúnem em audiência judicial para tratar do futuro da Embratel.
Ainda assim, segundo o tribunal de falências dos EUA, caberá ao juiz norte-americano a palavra final sobre o negócio.