As previsões foram concretizadas e já é certo que os Conservadores conseguiram a maior parte das cadeiras do Parlamento iraniano, ou Majli. A vitória ocorreu em meio à uma confusão gerada pelo Conselho de Guardiães, ao vetar mais de 2 mil condidaturas seguida das embaraçadas atitudes dos Reformistas.
Primeiro, a Frente Reformista do Irã, liderada por Mohammad Reza Khatami, decide boicotar o pleito e pede que a população não compareça às urnas. Depois, o presidente reformista moderado, Mohammad Khatami (irmão do primeiro), pede aos eleitores que não deixem de votar.
Somado-se a isso vem a grande desilusão dos iranianos no que diz respeito à qualquer tipo de eleição. Prova disso é que nas eleições municipais de 2003, apenas 15% da população compareceu às urnas.
É preciso lembrar que, 60% dos iranianos tem menos de 30 anos e está extremamente frustrada com o desempenho de Khatami que teve, na última eleição de 2001, uma ótima porcentagem de comparecimento às urnas (70%).
No Irã, o presidente pode ter suas decisões vetadas pelo Conselho, formado por 12 membros, a maioria clérigos e todos escolhidos pelo aiatolá Khamenei. Portanto, dispõe de pouca mobilidade, mas mesmo assim poderia ter adiado as eleições até que tudo fosse resolvido ou, ter se posicionado de uma forma mais firme. Ele é acusado pelos próprios reformistas e pela população, de apenas tentar se manter no poder a qualquer custo.
Agora os Conservadores estão de volta e com força total. O que pode enfraquecê-los é somente uma briga interna. Os conservadores pragmáticos acham que uma reforma é necessária, mas ao modo deles e os conservadores dogmáticos, representados pelo Conselho e pelo Aiatolá, dizem que não são adeptos de reforma alguma. Os primeiros até têm um certo apoio da população que, desiludida com a promessa de reformas do atual presidente, acha que se
algum tipo de reforma for feita, já terão ganho alguma coisa.
Quem perde também com a vitória dos conservadores são os vigilantes do Tratado de Não-Ploriferação Nuclear da ONU, que terão que enfrentar o extremismo da política islâmica conservadora no país que agora é a "bola da vez" depois das denúncias de que teria comprado material para fins militares do "pai" da bomba atômica paquistanesa.
Conservadorismo volta ao Irã com força total
Segunda, 23 de Fevereiro de 2004 às 19:12, por: CdB