O Bradesco mostrou que tradição e conservadorismo podem garantir bons números em tempos de crise. O maior banco privado do país encerrou o terceiro trimestre do ano com um lucro líquido de R$ 1,910 bilhão e destacou em seu relatório que não opera "derivativos exóticos", instrumentos que têm dado muita dor de cabeça para algumas empresas brasileiras.
Com o resultado do trimestre passado, o lucro do Bradesco de janeiro a setembro atingiu R$ 6,015 bilhões, um aumento de 3,4% em relação ao resultado apurado no mesmo período do ano passado. Ao longo dos últimos três trimestres, o lucro do Bradesco veio se reduzindo gradativamente. Nos três primeiros meses do ano, o banco teve lucro líquido de R$ 2,103 bilhões, passando para R$ 2,002 bilhões no período de abril a junho e R$ 1,91 bilhão entre julho e setembro. No terceiro trimestre de 2007, o lucro do banco foi de R$ 1,850 bilhão.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira, a diretoria do banco fez questão de destacar que o uso de derivativos cambiais visam apenas proteger as operações da instituição.
"Tais operações não são realizadas com objetivos especulativos e sim visando apenas o casamento de ativos e passivos", diz o texto.
No caso da posição em derivativos com clientes, o Bradesco mostrou que o conservadorismo impera.
"O Bradesco não realiza operações com derivativos exóticos, operações denominadas 'target forward' ou qualquer outro tipo de operações alavancadas. O Bradesco executa somente operações tradicionais com clientes que desejam administrar suas posições em moedas estrangeiras", afirmou o banco. De acordo com levantamento, em 23 de outubro, o Bradesco tinha a receber, de 206 clientes, o valor de R$ 973 milhões e tinha a pagar, para 110 clientes, montante de R$ 655 milhões.