Rio de Janeiro, 15 de Maio de 2026

Conservador assume presidência do Irã

Quarta, 03 de Agosto de 2005 às 06:52, por: CdB

O conservador Mahmoud Ahmadinejad tornou-se o novo presidente do Irã nesta quarta-feira, assumindo o cargo em meio a controvérsias sobre as ambições nucleares de Teerã e ao seu próprio passado.

O conservador de 48 anos de idade, ex-prefeito de Teerã, profundamente leal aos valores da revolução islâmica de 1979 no Irã, teve uma ampla vitória eleitoral em junho e foi designado presidente pelo Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

- Eu então... aprovo o voto da nação e aponto o doutor Mahmoud Ahmadinejad como presidente da República Islâmica do Irã - disse o texto lido por Khamenei em cerimônia oficial da saída do presidente reformista Mohammad Khatami.

Ahmadinejad foi abraçado pelo líder antes de reafirmar sua promessa de lutar pelo homem comum.

- Como servidor da república e uma gota no infinito oceano da nação iraniana....Eu me comprometo a responder à verdade e às esperanças desta nação servindo-a com honestidade - disse ele a líderes do país reunidos na cerimônia.

Khamenei parabenizou o novo presidente em seu discurso.

- Bravo, realmente bom - disse.

No Irã, o presidente nomeia ministros que gerenciam o dia-a-dia do governo. Mas o poder governamental é vistoriado por grupos não-eleitos que se reportam a Khamenei, figura mais poderosa do país, com mandato vitalício.

Ahmadinejad fará o juramento de posse em outra cerimônia, no sábado, em que deverá anunciar o seu gabinete.

Ahmadinejad não fez menção específica ao tema nuclear, que os Estados Unidos ameaçam levar ao Conselho de Segurança da ONU para possíveis sanções.

Mas ele disse:

-Elementos de ameaça global, incluindo armas de destruição em massa, químicas e biológicas, que estão agora nas mãos da hegemonia, devem ser erradicados.

Além da pressão internacional sobre o programa nuclear do Irã, Ahmadinejad também enfrenta acusações sobre o seu passado.

Os EUA acham que ele teve papel importante na tomada da embaixada norte-americana em Teerã depois da revolução, o que ele nega.

Investigadores austríacos estão analisando se ele esteve envolvido no assassinato de dissidentes curdos em Viena em 1989. Ele também rejeita essas suspeitas.

No campo econômico, os desafios são grandes. O crescimento cai no país e os campos de petróleo, principal atividade do Irã, estão perdendo capacidade.

O ex-membro da Guarda Revolucionária disse que vai acabar com a corrupção nas empresas de petróleo e que não dará tratamento preferencial a companhias estrangeiras.

Analistas dizem, no entanto, que os investidores assumirão uma postura de "esperar e ver", argumentando que Ahmadinejad assumiu uma linha pragmática como prefeito de Teerã e poderá fazer o mesmo como presidente.

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