A crise que se formou em torno de Palocci foi alvo de debates, na manhã desta segunda-feira, na reunião da coordenação política do governo, no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o encontro, os participantes receberam também os informes sobre a reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, realizada neste fim de semana em São Paulo. Pela primeira vez, desde a instalação da crise há quase um ano, os petistas não tinham alcançado a unanimidade quanto a um assunto em debate, como aconteceu neste domingo. Todas as correntes que coexistem no PT apoiaram a presença do ministro do governo e rejeitaram o que disseram ser "uma onda de denuncismo" da oposição, contra a estabilidade do governo Lula.
Também neste fim de semana, durante um breve diálogo entre o presidente Lula e o ministro Palocci, sua presença no governo foi requerida como prioridade. Seu afastamento estaria fora de questão, de acordo com interlocutores do presidente. Segundo Lula, a vida íntima de Palocci é algo que só diz respeito a ele e não há sentido em cogitar o seu afastamento do cargo nesta altura dos acontecimentos.
A oposição, no entanto, encontrou nas denúncias do caseiro Francenildo do Santos um ponto fraco onde bater no governo. Ao longo desta semana, a tendência é de que a CPI dos Bingos volte à carga e reforce as cobranças em relação à quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Após ser preso, ele teve os seus extratos bancários vazados da Caixa Econômica Federal, instituição que pende do organograma da pasta de Palocci, para a revista Época.
Nesta segunda-feira, o PPS entrou com uma queixa-crime em que cobra investigações do Ministério Público. Também o advogado de Francenildo, Wlício Chaveiro Nascimento, deverá ingressar com uma ação judicial contra a Caixa Econômica. E na CPI, o PFL e PSDB já estudam requerimentos nos quais pedem explicações ao governo sobre a quebra de sigilo.