As pesquisas com células-tronco vão continuar a ser feitas, com ou sem o apoio do governo dos Estados Unidos, e elas precisam ser regulamentadas de alguma forma, disse na terça-feira um conselho de especialistas.
O conselho da Academia Nacional de Ciências dos EUA disse que universidades e empresas privadas que fazem as pesquisas deveriam estabelecer padrões éticos e científicos rigorosos, e garantir à opinião pública que há controle sobre essa ciência muitas vezes polêmica.
- A premissa não é pregar que o trabalho seja feito, isso já está sendo debatido com algum consenso na comunidade científica e em outros fóruns, mas sim assumir logo de início que o trabalho é importante para o bem-estar humano, que vai ser feito, e que deveria ser conduzido dentro de padrões que digam respeito às questões científicas, éticas, médicas e sociais - afirmou o conselho em seu relatório.
- O público apóia cada vez mais essa área de pesquisa e seu potencial para o progresso da saúde humana - acrescentou o grupo.
- Na ausência de diretrizes federais para guiar a geração e o uso para pesquisa de células-tronco embrionárias humanas, a comunidade científica e suas instituições devem tomar a dianteira e desenvolver e implementar suas próprias (diretrizes) - afirmou o relatório.
Os partidários da pesquisa com células-tronco elogiaram o relatório.
- Como há uma ausência de fiscalização federal abrangente, os pesquisadores de células-tronco estão operando num Velho Oeste da ciência - disse a deputada democrata pelo Colorado Diana DeGette, que foi co-autora da legislação bipartidária para retirar os limites ao financiamento federal de pesquisas com células-tronco.
- Os fortes padrões éticos desse oportuno relatório devem dar aos partidários da pesquisa no Congresso ainda mais apoio para ampliar a atual política federal sobre as células-tronco, e deve dar àqueles que ainda estão à margem do processo motivos para entrar no jogo - observou Daniel Perry, presidente da Coalizão para o Avanço da Pesquisa Médica.
A coalizão, que reúne várias organizações, como a Fundação de Pesquisa da Diabete Juvenil, está fazendo lobby para ampliar o financiamento federal à pesquisa, incluindo o uso de tecnologia de clonagem para criar embriões a partir das próprias células do paciente.
Em agosto de 2001, o presidente George W. Bush anunciou restrições rígidas ao financiamento federal de pesquisas com embriões humanos, determinando que só as linhagens já existentes poderiam ser usadas.
Cientistas, entre eles os Institutos Nacionais de Saúde, reclamaram que as restrições impedirão o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças como diabete, mal de Parkinson e câncer.
Mas a Casa Branca se mantém firme na posição, e os opositores das pesquisas com células-tronco no Congresso prometem combater até mesmo as pesquisas feitas com financiamento privado.
Células-tronco são as células-mestras do corpo, usadas para gerar novos tecidos e células sanguíneas. Quando retiradas de embriões poucos dias após a fecundação, elas têm a capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula ou tecido.
Conselho pede diretrizes para pesquisa com célula-tronco nos EUA
Terça, 26 de Abril de 2005 às 13:35, por: CdB