A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) afirmou que três crianças indígenas, da etnia marubo, morreram em setembro no Amazonas, no Vale do Javari, em conseqüência da seca.
O Conselho Indígena do Vale do Javari (Civaja), entretanto, contesta a justificativa das mortes.
Segundo a enfermeira responsável pelo Núcleo de Acompanhamento e Assessoramento de Saúde Indígena da Funasa no estado, Maria Margareth Machado, as crianças morreram de diarréia e desnutrição, por causa da qualidade da água e dos peixes.
É um número atípico para esta época do ano, o número de casos de diarréia costuma ser maior em janeiro, na época da cheia. Mas ainda assim é um número baixo, diante da gravidade do problema da contaminação dos peixes que os índios consomem.
- Todos os índios do Vale do Javari moram em terra firme, e a questão da seca não é problema. O problema mesmo é a falta de assistência de qualidade. Inclusive as três crianças que morreram não são da etnia marubo, foram crianças kanamari. A desnutrição está atingindo apenas esse povo - argumentou Clóvis Marubo, conselheiro do Conselho Indígena do Vale do Javari (Civaja).
Segundo Clóvis, os 54 agentes de saúde indígenas que atuam na região estão sem capacitação e medicamentos.
- Quando a Funasa fez o primeiro convênio com o Civaja, em 1999, a gente tinha autonomia para cuidar do atendimento à saúde indígena. No convênio atual, com a Associação de Moradores Indígenas de Atalaia do Norte (Amiatã), a organização indígena é responsável apenas pela contratação de pessoal - contou.
De acordo com os dados do Civaja, 3.215 indígenas vivem no lado brasileiro do Vale do Javari, no município de Atalaia do Norte, que fica na fronteira com o Peru e a Colômbia. Eles pertencem a cinco etnias: Mayoruna, Matis, Kanamari, Marubo e Kulina.
Entre 21 de julho e 30 de agosto, a Funasa comandou a força-tarefa Vale do Javari, que contou com a participação de 26 profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem) e com o apoio da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), órgão estadual, e do Exército Brasileiro.
A operação conseguiu reduzir de 613 para apenas um o número de casos de indígenas com malária.
- A malária já está voltando; as grandes missões-relâmpago não resolvem o problema - afirmou o líder marubo.
A Funasa não informou o número de indígenas que morreram de diarréia e desnutrição no Vale do Javari, em setembro do ano passado.