Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

Conselho eclesial da Croácia quer indenizar monges italianos

Quinta, 04 de Agosto de 2011 às 11:50, por: CdB

ZAGREB, 4 AGO (ANSA) - O conselho permanente da Conferência Episcopal Croata (HBK, na sigla em croata) manifestou-se a favor do pagamento da indenização aos monges beneditinos da abadia de Praglia, na cidade italiana de Pádua, por seus bens confiscados pelo Partido Comunista da Iugoslávia após a Segunda Guerra Mundial.
   
"Nós bispos estamos unidos com respeito à decisão do Santo Padre, da Santa Sé e das outras instituições eclesiásticas", informou o grupo de religiosos em comunicado. Segundo o conselho, do qual participam quatro arcebispos, "o caso foi observado como uma questão intra-eclesial".
   
A nota sugere que seja respeitada a conclusão de uma comissão cardinalícia, da qual fez parte o arcebispo de Zagreb, o cardeal Josip Bonzanic, que, após anos de intrincados processos judiciários nos tribunais na Croácia, decidiu restituir o monastério de Dajla, localizada na península croata de Ístria, e os terrenos vizinhos ao imóvel para os monges beneditinos.
   
O monastério foi fundado na metade do século 19 e confiscado em 1948 pelas autoridades comunistas iugoslavas, que também caçaram os padres pertencentes à ordem.
   
Em 1999, com base na lei de restituição de bens nacionalizados, a Croácia devolveu a propriedade para a diocese local da Ístria, mas a abadia de Praglia já havia feito uma solicitação para ser reconhecida como a legítima proprietária do imóvel.
   
O pedido dos monges italianos foi reconhecido pelo Vaticano, mas o bispo croata Ivan Milovan recusou obedecer à ordem papal de assinar o ato que concedia a propriedade aos monges e lhes pagava uma indenização de cerca de 30 milhões de euros (R$ 67 milhões) pelos bens perdidos na ocupação iugoslava.
   
O sacerdote croata alegou que o pagamento desse valor levaria a diocese istriana à bancarrota. No início do ano, um grupo de bispos do país do Leste Europeu enviou uma carta a Bento XVI pedindo que revisasse a decisão a favor da indenização.
   
Nos últimos dias, dom Milovan recebeu o apoio de vários altos representantes da Igreja na Croácia, além da premier croata Jadranka Kosor e do presidente Ivo Josipovic.
   
A imprensa local informou que o clero da região da Ístria reuniu-se hoje e reagiu negativamente ao saber do conteúdo da nota do conselho da Conferência Episcopal. (ANSA)


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