André Vargas foi à Tribuna da Câmara para explicar seu relacionamento com o doleiro preso
O Conselho de Ética reúne-se na terça-feira para votação do parecer preliminar do relator no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Júlio Delgado (PSB-MG), que recomenda a continuação do processo disciplinar contra o deputado licenciado André Vargas (PR). Na semana passada pedido de vista conjunta adiou a análise do texto. Caso seja aprovado o relatório preliminar, o deputado André Vargas terá 10 dias úteis para apresentar sua defesa escrita. O prazo começa a correr depois que o deputado for notificado. Além de uma viagem de jatinho paga pelo doleiro Alberto Youssef, há suspeitas de que Vargas teria intermediado interesses de Youssef em contratos com o Ministério da Saúde.
O primeiro pedido de vista foi formulado pelo deputado Zé Geraldo (PT-PA). Segundo ele, a iniciativa não representa uma posição do partido, mas sim pessoal. Zé Geraldo disse que não pode aceitar o que chamou de "linchamento" do deputado André Vargas. De acordo com ele, o Conselho não adotou procedimentos como notificar seu colega de bancada e não permitiu o acompanhamento do processo por um advogado. O presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), respondeu que André Vargas foi quem não nomeou advogado para esta primeira fase do processo.
O deputado José Carlos Araújo (PSD-BA) foi autor do segundo pedido. Ele explicou que sua iniciativa teve o objetivo de caracterizar um pedido de vista conjunta, o que impede a repetição de novas solicitações de vista em reuniões futuras do Conselho. José Carlos Araújo também levantou a tese segundo a qual o deputado André Vargas poderia lançar mão da figura jurídica conhecida como delação premiada para ter sua pena amenizada em troca da cooperação com as investigações. A tese da delação premiada provocou divergências.
O relator Júlio Delgado também rebateu uma reclamação do deputado Fernando Ferro (PT-PE) que disse ter ficado decepcionado com entrevista concedida à rádio CBN na semana passada em que Delgado teria emitido juízo de valor quanto ao processo. A reunião será realizada às 16 horas, em plenário a definir.
Relatório
Para Delgado, as suspeitas se mostraram consistentes ao longo das investigações sumárias.
– O representado é detentor de mandato de deputado federal; há reportagens que relacionam a ele os fatos narrados e, ao menos em tese, o fornecimento de informações privilegiadas e a intermediação de interesses de terceiro junto ao Ministério, aliada a recebimento de vantagens, pode constituir ato incompatível com o decoro parlamentar – disse.
A crise começou quando a PF vazou informações sobre uma viagem de Vargas para o Nordeste, com a família, em um jato do doleiro Youssef. Logo depois, em outro vazamento, surgiram evidências de que o deputado agora licenciado fazia lobby para a contratação de um laboratório pela pasta da Saúde. Vargas negou todas as acusações. Preso como pivô da Operação Lava Jato da PF, Youssef está no centro da investigação sobre um esquema de corrupção que pode ter desviado mais de R$ 10 bilhões.
Na semana passada, Vargas havia anunciado que renunciaria ao mandato, mas desistiu. O parlamentar justificou o movimento dizendo que, mesmo com a renúncia, o processo disciplinar aberto contra ele no Conselho de Ética da Câmara prosseguiria.
– A renúncia não corta os efeitos da representação se a admissibilidade (do processo) for aprovada pelo Conselho de Ética. Se aprovada a admissibilidade, o processo continua, independentemente da renúncia – disse o deputado Júlio Delgado.
A cúpula petista manteve a pressão até que Vargas pedisse para deixar a legenda, na semana passada. Após a desfiliação, Vargas assegurou que irá seguir na defesa de seu mandato. Para o presidente do PT, Rui Falcão, a decisão do acusado foi benéfica para a legenda.
– Essa decisão preserva o PT e mostra que o André Vargas colocou a preservação do PT e a história de 24 anos dele no partido acima de suas preocupações pessoais. Nós apoiamos a decisão dele – concluiu Falcão.
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