Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Conselho de Ética ouve vítimas de fraude e suposto aliciador

Segunda, 10 de Março de 2008 às 17:40, por: CdB

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) ouviu, nesta segunda-feira, cinco mulheres, vítimas da fraude do auxílio-educação, e Eduardo Rocha Orsino, funcionário do Departamento de Transportes da Casa, que foi reconhecido por três depoentes como um dos envolvidos no suposto esquema. O presidente do conselho, deputado Paulo Melo (PMDB), ressaltou que toda a apuração realizada será enviada, através da Mesa Diretora, ao Ministério Público.

— Já foi constatado que há aliciamento e apuraremos tudo, para que os inocentes sejam absolvidos, e que arquem com as conseqüências os culpados —, apontou.

— Diante das dificuldades de termos instrumentos para averiguar o caso, o presidente da Casa, deputado Jorge Picciani (PMDB), nos disponibilizou um carro e fomos atrás dessas pessoas prejudicadas, na sexta-feira, no sábado e no domingo, visitando suas casas, colhendo informações. Elas vivem em condições de dificuldade, em locais distantes, sem saneamento básico e dá nojo saber que pessoas que já têm privilégios dos quais elas não usufruem, ainda as utilizam para ter vantagens —, indignou-se.

As cinco vítimas, todas com mais de sete filhos, contaram como caíram na suposta fraude. As três primeiras mulheres a serem ouvidas citaram três nomes de homens, ainda não identificados, que as procuravam para oferecer o "benefício" que seria concedido em função da quantidade de filhos: Leonardo, de apelido Bolinha, Norival e Ubiratan Ferreira, chamado de Bira. Segundo os relatos, elas eram levadas para a realização de exames médicos e abertura de contas por outras duas pessoas: Wanderley Galdeano Pereira, já ouvido pelo conselho, e Eduardo Orsino.

As vítimas relataram que a promessa era a de receber cerca de R$ 200, em alguns casos, R$ 350, mas muitas receberam apenas uma vez e não tiveram mais contato com os supostos aliciadores, que ficaram com seus cartões bancários. Maria Eliane dos Santos Couto, mãe de 12 filhos e moradora de Cachoeiras de Macacu, disse que nunca trabalhou com políticos e que jamais assinou um cartão de ponto.

— A gente vive com dificuldade, são muitas crianças, e elas nunca estudaram em escolas particulares —, contou.

Após o depoimento das mulheres, na presença de uma advogada, o funcionário Eduardo Orsino foi conduzido à sala para prestar esclarecimentos sobre o fato. Questionado pelos deputados sobre o possível esquema, Rocha afirmou não ter conhecimento sobre as fraudes, senão através dos jornais. Ele afirmou conhecer Galdeano e freqüentar o gabinete da deputada Renata do Posto (PTB), a quem fez uma doação de campanha de R$ 3 mil.

Segundo algumas vítimas, os supostos aliciadores disseram que o benefício seria concedido pela deputada. Durante o depoimento de Orsino, as cinco mulheres ouvidas entraram na sala e as três que haviam citado o nome do funcionário da Casa o reconheceram. Dirigindo-se ao presidente do conselho, Maria Eliane afirmou, chorando, que não poderia mentir.

— Foi esse homem que me levou ao banco. Quem ficou com meu cartão foi o Bolinha, mas ele estava junto —, denunciou.

Nesta terça-feira, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar ouvirá outras vítimas.

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