O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), deixou para esta terça-feira a escolha do relator para o terceiro processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Quintanilha admite, nos bastidores, que poderá enfrentar dificuldades na escolha de um nome.
O processo se refere à denúncia de que o presidente do Senado teria usado laranjas para a compra de um grupo de comunicação em Alagoas.
Quintanilha já avisou a interlocutores que, se não encontrar um senador disposto a relatar o caso, vai pedir aos líderes partidários que façam indicações. O novo processo contra Renan é considerado por alguns senadores como o mais complexo dos três para ser analisado.
A exemplo da primeira representação contra Renan no conselho, integrantes do órgão avaliam que as denúncias do suposto uso de laranjas podem ter consistência. No primeiro processo, o senador é acusado de ter usado recursos da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento de pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
A segunda denúncia contra Renan, relacionada à empresa Schincariol, é considerada de menor importância por grande parte dos senadores. Por esse motivo, o PT indicou o senador João Pedro (PT-AM) para relatar o caso. O senador nem chegou a ser consultado para a função. Ele foi apenas informado pela líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), que seria o relator do processo.
No segundo processo, Renan é acusado de ter beneficiado a Schincariol no INSS para reverter uma dívida de R$ 100 milhões da empresa, depois que a cervejaria comprou uma fábrica de seu irmão, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), por preço acima do mercado.
Integrantes do conselho avaliam que, como a denúncia é referente a Olavo Calheiros, o caso deveria ser analisado pela Câmara, e não pelo Senado. O senador Renato Casagrande (PSB-ES), um dos relatores do primeiro processo contra Renan no conselho, disse que a denúncia deveria ser investigada pelos deputados.
Acareação
O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), deve propor uma acareação entre o usineiro João Lyra e Tito Uchôa --apontado como laranja de Renan-- para apurar as denúncias de que o peemedebista teria usado terceiros na compra de um grupo de comunicação em Alagoas.
Em carta encaminhada ao corregedor, Uchôa se mostrou disposto a participar da acareação e prestar esclarecimentos ao Conselho de Ética do Senado.
- A acareação é necessária. É uma situação delicada, que tem de haver esclarecimento - disse Tuma.
Na semana passada, o corregedor ouviu em Maceió (AL) os depoimentos de Lyra e Luiz Carlos Barreto, que foi diretor-executivo do jornal adquirido supostamente pelo usineiro e por Renan. Depois de ouvir o depoimento de Barreto, Tuma afirmou que está "mais delicada" a situação de Renan.
Segundo o corregedor, Barreto não apresentou provas, mas fez uma série de acusações que "comprometem" o presidente do Senado. Tuma disse ainda que recebeu documentos e recibos repassados por Lyra, nos quais existiriam comprovações de assinaturas de Uchôa.
Barreto manteve a versão de Lyra sobre a participação de Renan na sociedade oculta, com o uso de laranjas na compra do grupo de comunicação. O ex-diretor do jornal disse que houve uma reunião entre Lyra, Renan e o empresário Nazário Pimentel --que teria vendido as empresas para o senador ao lado do próprio Barreto-- para definir a participação de cada um dos sócios no negócio.