O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou pela segunda vez, com o mesmo placar, no início da tarde desta sexta-feira, por 13 votos a um, o relatório favorável à cassação do deputado José Dirceu (PT-SP). No último dia 27, o Conselho aprovou o pedido de cassação de Dirceu, mas uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a votação e exigiu nova elaboração do relatório final, sem informações sigilosas obtidas com as comissões parlamentares de inquérito dos Correios e da Compra de Votos. O novo texto foi apresentado por Delgado na segunda-feira, reafirmando o pedido de cassação.
A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) pediu vistas do texto, adiando a votação por duas sessões da Câmara. A representação contra Dirceu foi aberta pelo PTB, que o acusou de articular o pagamento de parlamentares em troca de apoio ao governo quando exercia o cargo de ministro-chefe da Casa Civil.O julgamento no plenário da Câmara está marcado para o dia 23 de novembro.
Os deputados Cezar Schirmer (PMDB-RS), Jairo Carneiro (PFL-BA) e Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) também se manifestaram pela cassação do deputado Dirceu. Mendes Thame disse ter convicção de que houve mais do que ilegalidade eleitoral nos empréstimos feitos por Marcos Valério a partidos políticos.
- Não é só corrupção eleitoral, é muito mais do que isso, e a denúncia de que dinheiro do Banco do Brasil financiou os empréstimos intermediados pelo publicitário Marcos Valério é a prova. E isso não poderia ocorrer sem cooperação do governo - avaliou.
O deputado Orlando Fantazzini (Psol-SP) disse que Dirceu não merece mais o comando da história do seu partido e deve voltar à vida civil.
- Se permanecer, será o símbolo da impunidade no País - afirmou o deputado, ao manifestar seu voto favorável à cassação do ex-ministro-chefe da Casa Civil.
Dirceu tem reafirmado que as decisões tomadas contra ele são políticas e que os membros do Conselho não terão coragem de votar pela sua absolvição, ainda que não existam provas concretas contra ele. Dirceu acredita, no entanto, o resultado da votação poderá ser diferente no plenário da Câmara. Ao contrário do que ocorre no Conselho de Ética, a votação em plenário é secreta.
Outros processos
Na próxima quarta-feira, o plenário da Câmara vai apreciar o processo contra o deputado Sandro Mabel (PL-GO). Nesta semana, o Conselho de Ética aprovou, por unanimidade, o pedido de arquivamento do processo contra o parlamentar. O Conselho ainda tem 11 processos para analisar.
- Quando aumentar o volume de processos, o presidente vai colocar dois ou três por semana - disse o presidente da Comissão de Ética, deputado Ricardo Izar.
Segundo afirmou Izar, se o Conselho não conseguir finalizar os trabalhos até o dia 20 dezembro, será feita uma autoconvocação:
- Não havendo possibilidade, já está acertado que vai haver uma autoconvocação não remunerada e nós vamos trabalhar janeiro e fevereiro aqui.