Antes de pensar em adquirir outras bolsas na América do Sul, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve ir conquistando espaços “degrau por degrau”. A recomendação foi feita nesta quinta-feira, em entrevista à Agência Brasil, pelo ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Roberto Teixeira da Costa.
Atual conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Costa participou do 20º Congresso da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), no Rio de Janeiro.
Ele analisou como positivo o caminho da internacionalização que vem sendo buscado pela Bovespa para se expandir.
- Há três anos, ninguém podia imaginar que a gente ia ter a quarta maior bolsa do mundo - externou.
Mas sugeriu, entretanto, que um primeiro passo nesse sentido seria a atração de investidores da região.
- Eu acho que antes de pensar em adquirir ou se associar às Bolsas da Argentina, Chile ou México, ela deveria começar a incentivar as empresas importantes desses mercados a virem negociar ações no nosso mercado, por intermédio dos [títulos] BDRs (Brazilian Depository Receipts) - disse.
O economista considera que essa seria uma etapa importante. Ela, avalia ele, daria a noção exata se a bolsa brasileira tem condições de dar liquidez aos papéis.
- E aí, o próximo passa já seria bem mais fácil. Hoje, em termos operacionais, a Bovespa representa 80% das bolsas da região sul-americana - revelou Costa.