Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Congressos expõem racha na CGTB

Domingo, 10 de Julho de 2011 às 06:27, por: CdB

Por Vitor Nuzzi, na Rede Brasil Atual:O 6º Congresso Nacional da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) dividiu-se entre dois blocos, o que pode apontar uma disputa jurídica nos próximos dias. Divergências internas levaram à realização de encontros paralelos. Nesta sexta-feira (8), a assessoria do atual presidente, Antônio Neto, confirmou que o congresso foi realizado e reelegeu o dirigente. Mas o 1º vice-presidente da entidade, Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, informou que o congresso ainda está sendo realizado – no Moinho Santo Antônio, em São Paulo – e termina neste sábado (9), com a eleição de nova diretoria. "Eles (referindo-se ao grupo de Neto) fizeram um convescote, um congresso de bolso", afirmou, considerando "completamente ilegal" o encontro promovido pelo atual presidente.A origem da divergência estaria relacionada ao fim do que Neto, em seu blog, chamou de cláusulas de barreira, um item do estatuto sobre contribuição de entidades filiadas à central. Para ele, isso impedia a participação de sindicatos ao congresso. Reunião da direção nacional, na última sexta (1º), aprovou por 22 votos a 18 uma resolução para recuperar o regimento interno do congresso anterior. Posteriormente, a resolução foi contestada judicialmente."Esta reunião foi convocada para restabelecer a democracia que sempre imperou em nossos Congressos", escreveu Neto. "Diante disso, fica livre a participação dos sindicatos e sem a barreira imposta por uma corrente interna da central, que tentou condicionar a participação dos sindicatos ao pagamento extra de 2% sobre a renda da entidade para a central e à cobrança da taxa de R$ 200,00 por delegado", acrescentou o dirigente.Para Bira, houve uma tentativa de golpe na central, com cinco diretores tentando "tomar de assalto" a entidade. Assim, alegando deliberação do conselho nacional da CGTB, que determinou abertura do congresso às 18h da quinta-feira (7), ele instalou o evento, diante da ausência do presidente. "É preciso decidir entre uma central de luta ou de acomodação", afirmou o dirigente, que é secretário do PPL (Partido da Pátria Livre), onde atua o antigo MR-8. Já Neto é filiado ao PMDB.A CGTB já é resultado de uma divisão. Em 1986, foi criada a CGT, com disputas entre dois blocos, um liderado por Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, líder metalúrgico de São Paulo durante mais de 20 anos, e outro por Antônio Rogério Magri, ministro do Trabalho no governo Collor e ex-presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo. Três anos depois, a CGT se dividiu, originando a CGTB. Em 2007, a CGT, juntamente com outras duas centrais, CAT e SDS, se unificaram em torno da União Geral dos Trabalhadores (UGT).Com a disputa interna, pelo menos uma das entidades filiadas à CGTB, a Fenatracoop (federação dos trabalhadores em cooperativas), divulgou que se desfiliará da central. O destino deverá ser justamente a UGT.

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