Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Congresso em Nova Friburgo debate a questão rural fluminense

Quinta, 13 de Maio de 2010 às 09:11, por: CdB

A falta de estradas rurais de acesso às áreas de produção e a deficiência de comunicação, incluindo telefonia e internet no campo, são alguns obstáculos ao desenvolvimento da agricultura fluminense, segundo o presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Políticas Rural, Agrária e Pesqueira da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Rogério Cabral (PSB). De acordo com ele, esses problemas precisam ser vencidos em curto e médio prazos. Há entraves também no acesso à educação, incluindo o ensino técnico e médio “e até o ensino fundamental à noite, em algumas localidades, para jovens e adultos.”

Para debater essas questões, a Alerj promoveu em Nova Friburgo, Região Serrana do Estado, nesta quinta-feira, o 2º Congresso Rio Eco Rural, que fará um diagnóstico dos principais setores do agronegócio fluminense. A finalidade é levantar os principais problemas para o desenvolvimento agrícola fluminense, visando a oferecer ao governo sugestões de projetos de lei e ações em diversos níveis, no sentido de estimular todas as cadeias produtivas.

A ideia é formular uma política de apoio à fixação do homem no campo e uma ação governamental de incremento aos setores e redução dos obstáculos, em parceria com órgãos representativos do setor rural, como a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e a Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro (Aearj).

O governador do Estado, Sergio Cabral Filho, entregou máquinas agrícolas a produtores rurais, durante a abertura do evento, além de sancionar projeto de lei que denomina Friburgo a capital da moda íntima do Estado, informou o presidente da Comissão de Agricultura da Alerj.

Pecuária

Enquanto a pecuária leiteira nacional cresceu em torno de 40% nos últimos anos em termos de volume de produção, a situação se mostra estagnada no estado do Rio. A avaliação foi feita pelo diretor técnico da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Alberto Figueiredo. As deficiências do setor também foram discutidas no congresso. O consumo de leite tem aumentado no Rio, mas a participação  da produção interna no consumo tem diminuído.

– Nós já chegamos a oferecer ao mercado 70% daquilo que consumimos e hoje oferecemos 22,5% – disse Figueiredo.

O principal fator para isso, segundo ele, é que o Estado nunca conseguiu organizar o sistema de industrialização e comercialização em torno de empresas fortalecidas economicamente.

– São cooperativas ou pequenas usinas pulverizadas que não conseguem ser competitivas no mercado – acrescentou.

Para o diretor, há também falta de estímulo ao produtor para que invista em tecnologia.

– Então,  a nossa produtividade é baixa – contatou.

O Estado do Rio produz 1,8 mil litros de leite por vaca anualmente, quando deveria produzir, no mínimo, 4 mil litros. Por hectare, a produção fluminense é de 370 litros de leite por ano. Figueiredo afirmou que o Estado poderia estar produzindo 10 mil litros de leite por hectare/ano.

– A baixa produtividade  por animal e a utilização inadequada das terras no Estado impedem que seja competitivo. Porque o nosso custo operacional aumenta – disse.

O governo fluminense concede incentivos da ordem de R$ 3 milhões por mês que, “teoricamente”, deveriam ser em favor dos produtores, afirmou o diretor. Na sua opinião, isso ocorre porque os grandes incentivos têm sido mais direcionados para as usinas de   beneficiamento do que para os produtores.

Ele explicou que com isso, o preço final resulta menor do que a média nacional, que hoje é de R$ 0,70 o litro. Figueiredo observou que na medida em que o governo destina 11% de incentivo fiscal sobre o preço do produtor, o preço do leite no Rio deveria ser 10% maior do que a média nacional. Ou seja, chegaria em torno de R$ 0,77 por litro.

O rebanho bovino fluminense soma 1,9 milhão de cabeças. Desse total, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 283.541 são vacas leiteiras.

O setor enfrenta entraves, como a deficiência  de assistência técnica especializada, ausência de programas de incentivo ao uso de terras mais planas pela pecuária de leite e estradas mal conservadas que dificultam o transporte diário de leite. O diretor citou também, entre os problemas, os apagões constantes de energia elétrica no interior, que levam o produtor a perder a produção, além da ociosidade das plataformas de industrialização.

No ranking nacional, o Rio de Janeiro ocupa a 13ª colocação entre os produtores. Seis Estados, liderados por Minas Gerais, detêm 73% da produção nacional. Os demais são Goiás, Santa Catarina, São Paulo, o Rio Grande do Sul e Paraná.

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