Congresso dos EUA tenta acordo mas ameaça de crise preocupa líderes mundiais
As negociações no Senado dos Estados Unidos para acabar com a crise fiscal mostraram sinais de progresso nesta segunda-feira, mas ainda não há garantias de que a paralisação do governo federal está perto de um fim ou que o default da dívida será evitado.
Líder da maioria democrata no Senado dos Estados Unidos, Harry Reid
As negociações no Senado dos Estados Unidos para acabar com a crise fiscal mostraram sinais de progresso nesta segunda-feira, mas ainda não há garantias de que a paralisação do governo federal está perto de um fim ou que o default da dívida será evitado. Diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde advertiu, na véspera, sobre uma "enorme turbulência" à economia global se o limite de endividamento dos EUA, que será atingido na quinta-feira, não for elevado. Essa é a data que o Tesouro norte-americano perde a autoridade para tomar recursos emprestados.
– Estaremos sob o risco de cair, novamente, em recessão – afirmou Lagarde em entrevista veiculada pelo programa Meet the Press, do canal norte-americano de TV NBC.
Lagarde, declarou, ainda, que "uma falta de certeza e confiança nos Estdos Unidos significaria enorme perturbação em todo o mundo". O Tesouro norte-americano aguarda por acordo que aumente o limite de endividamento do país. Líderes democratas e republicanos mantêm conversas no Senado, mas há poucos sinais de avanços, segundo correspondentes.
Até agora, o presidente Barack Obama e os políticos republicanos não foram capazes de chegar a um consenso sobre o orçamento do país e a elevação do teto de dívida pública. Em vez da crise do euro, a disputa entre democratas e republicanos foi o assunto que dominou encontro anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, em Washington.
Nova rodada
O otimismo de sexta-feira de que um acordo seria alcançado no fim de semana desapareceu já no sábado, e as negociações saíram da Câmara dos Deputados para o Senado. O líder da maioria no Senado, Harry Reid, e o líder dos republicanos na Casa, Mitch McConnell, fizeram uma rodada de negociações classificadas por Reid como "substanciais". O senador democrata não deu detalhes, mas o comentário alimentou esperanças de que o Congresso conseguirá aprovar um projeto de lei para financiar o governo, que está paralisado desde 1º de outubro, e elevar a capacidade de financiamento.
– Estou otimista sobre as perspectivas para uma conclusão positiva ao tema – afirmou Reid.
Mais cedo no domingo, McConnell emitiu comunicado pedindo que os democratas apoiem uma iniciativa bipartidária para acabar com a paralisação e elevar o teto da dívida. Estão previstas sessões no Senado e na Câmara nesta segunda-feira, apesar do feriado de Columbus Day.
Qualquer acordo no Senado terá de ser votado também pela Câmara dos Deputados, onde a maioria republicana tem sido bastante pressionada pelos conservadores a não fazer concessão ao presidente Barack Obama e ao Partido Democrata.
De olho no desenvolvimento das negociações nos EUA, o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, exortou os legisladores estadunidenses a entenderem-se quanto antes sobre o aumento do teto da dívida pública para evitar o risco de uma catástrofe econômica global. Embora a data limite para em que será alcançado o teto da dívida legalmente estabelecido seja já a próxima quinta-feira, os políticos de Washington não conseguem chegar a acordo sobre a forma de retirar o país da crise da dívida.
– Se a data limite for ultrapassada, isto poderá ter consequências desastrosas para os países emergentes, mas também acabará danificando enormemente as próprias economias desenvolvidas – frisou o presidente do Banco Mundial.
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