Facções adversárias entraram em choque nesta quarta-feira, durante uma audiência no Congresso dos Estados Unidos, a respeito de uma proposta de emenda constitucional que proíbe os casamentos homossexuais. Republicanos prometeram defender o "casamento tradicional", e democratas afirmaram que a proposta visa a provocar divisões políticas em um ano eleitoral.
O líder da maioria no Senado, Bill Frist, não quis fazer previsões sobre a eventual aprovação da medida proposta pela Casa Branca, que exige dois terços dos votos. "Não sei. Acabamos de começar. Vai ser um ano complicado", disse ele. "Mas pelo jeito vai chegar ao plenário neste ano."
O presidente George W. Bush sugeriu a emenda na semana passada, agradando à sua base conservadora, e vários parlamentares já estão se empenhando pela aprovação da medida que definiria o casamento como a união entre um homem e uma mulher. Mas outros parlamentares, tanto democratas quanto republicanos, vêem com preocupação a mudança na Constituição. Muitos dizem que tal emenda seria discriminatória.
John Cornyn, presidente da subcomissão de Constituição do Senado, que comandou a audiência, disse que o Congresso precisa agir com rapidez para evitar os casamentos homossexuais. "Pessoas sérias reconheceram relutantemente que uma emenda pode ser a única forma de assegurar a sobrevivência do casamento tradicional nos Estados Unidos", disse.
O senador Russell Feingold, líder democrata na subcomissão, reagiu: "Este é um exercício de divisão política em um ano eleitoral, pura e simplesmente." A questão deve ser um dos grandes temas das eleições presidencial e parlamentares de novembro.
Democratas e republicanos em geral se opõem aos casamentos homossexuais. Mas enquanto muitos republicanos estão a favor de uma emenda nesse sentido, a maioria dos democratas se opõe. O senador John Kerry, virtual candidato democrata à Presidência, é contra a emenda. Ele é favorável a uniões civis que garantam aos cônjuges homossexuais parte dos direitos de casais casados.
Pesquisas recentes mostram que dois terços dos norte-americanos se opõem aos casamentos homossexuais e que o público está dividido quanto às uniões civis. Em entrevista coletiva organizada pela entidade Aliança pelo Casamento, Frist disse que "não buscamos essa luta, mas é uma luta que vamos assumir".
Ele e outros defensores da emenda constitucional criticam "juízes ativistas" e autoridades locais de vários Estados, inclusive Massachusetts e Califórnia, por redefinirem os casamentos para permitirem as uniões homossexuais. A sala de audiências do Senado ficou lotada para a sessão, inclusive com vários casais homossexuais que levaram seus filhos.
O reverendo Richard Richardson, da Igreja Metodista Episcopal Africana de Boston, falou contra o casamento gay. "Esta discussão sobre casamento não é a respeito do amor adulto. É a respeito de encontrar a melhor forma de criar crianças e, como nos dizem a história, a tradição, a sociologia e o simples bom senso, as crianças são mais bem criadas por seus pais e mães biológicos."
Hillary Shelton, diretora da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor, afirmou ao Congresso que está mais interessada nas preocupações cotidianas dos americanos. "Desafiamos qualquer um a dizer a milhões de americanos que vivem sem assistência médica que eles estariam mais bem servidos com um Congresso que debate emendar a Constituição para discriminar famílias chefiadas por duas pessoas do mesmo gênero", afirmou.
Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026
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