Legisladores bolivianos reúnem-se nesta quinta-feira para decidir sobre a renúncia do presidente Carlos Mesa e sobre quem o sucederá, após semanas de protestos indígenas e pedidos cada vez mais intensos por uma antecipação das eleições a fim de encerrar uma crise, que provocou temores de uma guerra civil.
O dividido Congresso deve aceitar a renúncia de Mesa. O presidente não conseguiu lidar com as exigências indígenas pela nacionalização das reservas energéticas do país. Muitos bolivianos, contudo, estão preocupados com quem os legisladores escolherão para liderar o país.
A Constituição prevê que o presidente do Senado, Hormando Vaca Díez, assuma o cargo. O presidente da Câmara dos Deputados e o da Suprema Corte são os nomes seguintes na linha de sucessão.
Mas líderes indígenas e vários setores vêem Vaca Díez como inaceitável e exigem eleições antecipadas.
- A opinião daqueles com quem conversamos é de convocar eleições antecipadas para se chegar a um nível de equilíbrio político e democrático - disse a Igreja Católica em um comunicado emitido na noite de quarta-feira, após dias de negociação para encerrar a crise.
Analistas dizem que Vaca Díez, um fazendeiro rico, é visto por muitos bolivianos como um representante de uma classe política que não atendeu às demandas do país.
Evo Morales, o ex-plantador de coca que virou líder indígena, alertou que seu partido MAS não permitirá a Vaca Díez assumir a Presidência e bloqueará a sessão se não houver acordo para permitir que os bolivianos cheguem às urnas. Ele pediu desobediência civil.
- Não podemos permitir que um representante da máfia política volte ao palácio presidencial para assaltar o Estado e roubar o povo - disse.
Três semanas de bloqueios liderados pela empobrecida maioria indígena provocaram desabastecimento de combustível e alimentos em La Paz, na mais grave crise desde que Mesa chegou ao poder, em 2003, após a destituição de Gonzalo Sánchez de Losada.