Glenn Greenwald, o jornalista que deu o furo do escândalo de espionagem da NSA
A instalação da CPI da Espionagem, que investigará a quebra de sigilos telefônicos, bancários e na internet de milhares de brasileiros por um programa de espionagem norte-americano, chamado Prism, foi transferida para a próxima terça-feira. Segundo denúncia do ex-espião da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden, o governo norte-americano monitora milhões de emails e telefonemas de brasileiros; além de ter acesso a dados confidenciais de pessoas físicas e jurídicas a partir de computadores pessoais.
Criada a partir de requerimento da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), a comissão parlamentar de inquérito terá 11 membros titulares e 7 suplentes. Os parlamentares que farão parte do colegiado já foram indicados pela maioria das lideranças. O Brasil seria um dos países mais vigiados, segundo o jornalista Glenn Greenwald, que falou à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) no início de agosto. Ele foi o responsável por expor os programas secretos dos Estados Unidos para a interceptação de dados vazados por Snowden.
Informações
A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, por sua vez, aprovou nesta quarta-feira o convite para que o embaixador britânico no Brasil, Alexander Elis, preste informações sobre a retenção de David Michael Miranda por quase nove horas no Aeroporto de Heathrow, em Londres. Miranda é companheiro de Greenwald, que divulgou pelo diário inglês The Guardian as informações sobre o esquema de ciberespionagem do governo norte-americano. O incidente ocorreu no dia 18 passado, quando o avião que levava o brasileiro de Berlim ao Rio de Janeiro fez uma parada na capital britânica.
Durante o interrogatório dos policiais londrinos, Miranda teve os equipamentos confiscados. O episódio mereceu reação do governo brasileiro, que convocou o embaixador britânico para uma conversa no Itamaraty. O então ministro Antonio Patriota também conversou, por cerca de dez minutos, por telefone, com o chanceler britânico, William Hague, cobrando explicações sobre a detenção.
O embaixador britânico já se pronunciou publicamente sobre o episódio, dizendo em entrevista que as relações com o Brasil não foram prejudicadas e que o tema era "policial e jurídico" e, não, diplomático. Em nota divulgada no dia seguinte ao incidente, a Embaixada do Reino Unido disse também que a retenção do brasileiro foi uma "questão operacional".
Imbróglio diplomático
Embora o representante britânico no Brasil tenha minimizado as repercussões da prisão de Miranda, o Ministério das Relações Exteriores manteve a convocação do embaixador britânico em Brasília, Alexander Ellis, para demonstrar a insatisfação do governo brasileiro em relação à retenção do companheiro de Greenwald por nove horas no Aeroporto de Heathrow, em Londres.
– Não há justificativa para o tratamento que foi dado a um cidadão brasileiro sobre quem não pesa qualquer suspeita de envolvimento com o terrorismo ou outra atividade ilícita, retido durante nove horas incomunicável. Esperamos que isso não se repita. Será muito importante transmitirmos isso de maneira muito clara ao governo britânico – disse, na semana passada, o agora ex-chanceler brasileiro Antonio Patriota.
Patriota também pretende conversar ainda hoje com o chanceler britânico, William Hague, sobre a detenção do cidadão brasileiro. Ele participou no Rio de uma cerimônia em homenagem a Sérgio Vieira de Mello, brasileiro que morreu há dez anos em atentado terrorista em Bagdá, quando chefiava a representação das Nações Unidas no Iraque.
Antes de conversar com a imprensa no Rio de Janeiro, Patriota havia criticado “desmandos e desvios” que vêm sendo cometidos em nome do combate ao terrorismo no mundo, em discurso durante o evento. O chanceler brasileiro disse que o combate ao terror deve respeitar o direito internacional. O brasileiro David Miranda é companheiro do jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que denunciou, em matérias publicadas no jornal britânico The Guardian, a estratégia de ciberespionagem do governo dos Estados Unidos. As reportagens foram baseadas em documentos fornecidos por Edward Snowden, ex-funcionário de uma empresa terceirizada que prestava serviços à Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA).
Greenwold disse hoje, na chegada de David Miranda ao Rio, que o episódio era uma forma de intimidá-lo. O brasileiro desembarcou cedo no Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão. Ele contou que foi abordado no aeroporto de Londres por vários homens que lhe disseram que seria levado a uma sala para ser interrogado.
– Fizeram perguntas sobre a minha vida inteira e ainda levaram o meu computador, o videogame, celular, máquina fotográfica e cartões de memória – concluiu.
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