Rio de Janeiro, 06 de Fevereiro de 2026

Congressistas criticam auditores da Enron nos EUA

Duas comissões do Congresso americano que estão investigando a falência da gigante energética Enron começaram a ouvir depoimentos nesta quinta-feira. E os primeiros depoimentos estão rendendo mais críticas à auditoria Andersen, responsável pela análise das contas da Enron. Segundo o republicano Jim Greenwood, que preside a investigação da Câmara dos Representantes, a destruição de documentos pela Andersen "agravou a falência catastrófica" da empresa energética.

Quinta, 24 de Janeiro de 2002 às 22:39, por: CdB

Duas comissões do Congresso americano que estão investigando a falência da gigante energética Enron começaram a ouvir depoimentos nesta quinta-feira. E os primeiros depoimentos estão rendendo mais críticas à auditoria Andersen, responsável pela análise das contas da Enron. Segundo o republicano Jim Greenwood, que preside a investigação da Câmara dos Representantes, a destruição de documentos pela Andersen "agravou a falência catastrófica" da empresa energética. No Senado, um ex-presidente da SEC, entidade responsável pela fiscalização do setor financeiro nos Estados Unidos, disse que as empresas de auditoria, como a Andersen, devem repensar suas relações com os clientes. Na Câmara dos Representantes, que corresponde à Câmara dos Deputados no Brasil, um diretor da Andersen confirmou que o auditor responsável pelas contas da Enron, David Duncan, mandou destruir uma "quantidade bastante significativa de documentos". Dorsey Baskin, que é um diretor da área de padrões profissionais da consultoria, disse que a Andersen "não se orgulha" do que aconteceu. Mas ressaltou que considera que a empresa tomou a atitude certa ao revelar que os documentos haviam sido destruídos. "Embora estivéssemos conscientes do impacto potencialmente devastador que a descoberta teria em nossa reputação", disse Baskin. Duncan, que foi demitido pela Andersen, invocou seu direito de não testemunhar no Congresso e não respondeu nenhuma pergunta. Para Greenwood, a postura de Duncan prejudicou o trabalho da Subcomissão de Comércio e Energia da Câmara dos Representantes, que está investigando o caso. "A Enron roubou o banco, a Arthur Andersen providenciou o carro para a fuga e o sr. estava ao volante", disse o congressista republicano a Duncan. Mas outros membros da sucomissão temem que o ex-auditor da Enron esteja sendo transformado em um "bode expiatório". No Senado, o foco das preocupações é o trabalho das empresas e entidades públicas responsáveis pela fiscalização das contas dos grandes grupos. "Está mais do que na hora de admitir que a profissão dos contadores se encontra comprometida", disse Arthur Levitt, ex-presidente da SEC. Esta foi a primeira de nove sessões de depoimentos que o Congresso americano vai promover nas próximas seis semanas a respeito da Enron. O começo dos depoimentos coincidiu com o pedido de afastamento do presidente da Enron, Kenneth Lay.

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