Os confrontos entre manifestantes e policiais segue há mais de 48 horas em Istambul
Primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan pediu, neste sábado, que cessem os confrontos entre manifestantes e policiais, com o fim imediato dos mais violentos protestos contra o governo dos últimos anos. Os protestos seguem em Istambul pelo segundo dia e o número de internações nos hospitais da região subiram. Não há, ainda, um número preciso de vítimas da violência policial, mas já se fala em "dezenas", segundo fontes oficiais.
Apesar dos protestos, Erdogan prometeu continuar com a revitalização da praça Taksim, um projeto que provocou os protestos, e afirmou que o assunto estava sendo usado como subterfúgio para aumentar as tensões no país. A polícia atirou gás lacrimogêneo e disparou canhões de água para conter a multidão que gritava "unidos contra o fascismo" e "renúncia do governo" e impedir que chegasse até a praça Taksim, onde centenas de pessoas ficaram feridas em confrontos na sexta-feira.
Manifestantes também entraram em confronto com a polícia no bairro de Besiktas, após cruzarem uma ponte sobre o estreito de Bósforo, em outra aparente tentativa de alcançar a praça.
– A cada quatro anos nós realizamos eleições, e esta nação faz a sua escolha. Aqueles que têm um problema com as políticas governamentais podem expressar sua opinião dentro da estrutura da lei e da democracia... Estou pedindo aos manifestantes que cessem imediatamente essas ações – afirmou Erdogan em um discurso transmitido pela televisão.
O protesto no Parque Gezi, ao lado da praça, começou no fim da segunda-feira, depois de árvores terem sido derrubadas devido ao plano de revitalização, mas se transformou em uma ação mais ampla contra Erdogan e seu partido, o Justiça e Desenvolvimento (AKP), que tem raízes islâmicas.
Erdogan liderou uma transformação na Turquia durante a década em que está no poder, fazendo a economia deixar seus dias de crise e se transformar na de maior crescimento na Europa. Ele é, de longe, o político mais popular do país.
Mas críticos atacam seu autoritarismo e o que chamam de interferência de seu governo na vida privada. Grandes restrições à venda de bebidas alcoólicas e alertas contra manifestações amorosas públicas levaram a protestos nas últimas semanas. Muitos turcos também temem que as políticas do governo façam a Turquia entrar no conflito da Síria.
Médicos afirmaram que mil pessoas ficaram feridas nos conflitos em Istambul na sexta-feira, no que foi a maior manifestação contra o governo em anos. Seis pessoas perderam a visão após serem atingidas por cilindros de gás lacrimogêneo, informou a Associação dos Médicos Turcos.
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