As forças da coalizão estão lutando em duas frentes nesta terça-feira no Iraque. Em uma delas, as forças lideradas pelos EUA lutam contra os radicais xiitas no sul do Iraque e em outra contra insurgentes sunitas na violenta cidade de Fallujah, a 50 km de Bagdá.
Os confrontos deixaram, desde o final de semana, 120 pessoas mortas. Entre elas, 20 soldados americanos e cem iraquianos. Nesta terça-feira a tensão nas principais cidades do Iraque se intensificou. Houve confrontos em Nassiriah, Amara, Karbala, Kut e Fallujah, além do anúncio do líder xiita Moqtada al Sadr ter deixado a mesquita em Kufa, sul do país, onde se refugiou "para evitar um derramamento de sangue".
Em Nassiriah, ao sul do país, quatro veículos italianos foram incendiados durante um combate que aconteceu antes do amanhecer e que envolveu homens da milícia Exército Mehdi, de Sadr. Oficiais do país europeu afirmaram que 12 soldados italianos ficaram feridos, nenhum deles seriamente. Quinze iraquianos teriam morrido no ataque.
Também houve combates com milicianos xiitas em Amara, cuja segurança está nas mãos de militares britânicos, causando a morte de mais 15 pessoas. Em Kut, cidade patrulhada por forças da Ucrânia, foi confirmada a morte de um soldado ucraniano. Em Karbala, soldados poloneses feriram dois milicianos em combates. As três cidades ficam no sul do país.
Em Fallujah, a oeste da capital, novos combates surgiram enquanto os fuzileiros americanos levavam à frente uma missão para expulsar guerrilheiros do local.
Confrontos
Na segunda-feira, as tropas americanas cercaram a cidade de Fallujah dando início a uma grande operação em resposta ao assassinato de quatro americanos na semana passada por rebeldes sunitas --após terem sido atingidos por balas, os americanos tiveram seus corpos mutilados e expostos como sinal de "vitória".
No fim de semana, milhares de manifestantes xiitas protestaram contra a prisão de Mustafa al Yacoubi, o braço direito de Al Sadr, e contra o fechamento do jornal de Al Sadr, "Al Hawza", pela administração americana. Os protestos aconteceram em várias cidades iraquianas, mas foram mais intensos em Najaf [cidade sagrada para os xiitas e localizada no sul do Iraque], onde pelo menos 23 pessoas morreram no domingo, e em Bagdá.
O grupo de Al Sadr esteve em bastante evidência nos meses após a queda de Saddam Hussein, mas perdeu espaço com a ascensão do aiatolá Ali al Sistani, o principal líder xiita. Até agora, Sadr vinha evitando fazer declarações de apoio a ataques contra as forças da coalizão.
Al Sadr, um jovem líder religioso que se opõe à ocupação norte-americana, se abrigou na principal mesquita da cidade de Kufa, ao sul de Bagdá, e jurou resistir. Centenas de membros de seu grupo armado controlam a cidade, ocupando a delegacia de polícia e bloqueando a via de acesso à mesquita, que está cercada de atiradores fiéis a Al Sadr.