Simpatizantes do Fatah também teriam invadido o Conselho Legislativo de Nablus, controlado pelo Hamas.
Ainda neste sábado, a Liga Árabe criticou os últimos episódios de violência na Faixa de Gaza e manifestou novamente o seu apoio ao enfraquecido presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.
O Fatah, grupo palestino liderado por Abbas, foi expulso da Faixa de Gaza por militantes da organização rival, o Hamas, depois de uma semana marcada por intensos confrontos, que deixaram pelo menos cem mortos.
'Cooperação'
Depois de uma reunião na capital do Egito, Cairo, os ministros do Exterior dos países que integram a Liga Árabe lançaram um apelo tanto ao Hamas quanto ao Fatah para acabar com as hostilidades e cooperar.
Na sexta-feira, um líder político do Hamas, Khaled Meshaal, exilado na Síria, também afirmou que o grupo vai trabalhar com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, do grupo rival Fatah.
- Ele é um presidente eleito, e nós vamos cooperar com ele pelo bem do interesse nacional - disse Meshaal em uma entrevista em Damasco.
Neste sábado, depois da reunião de emergência da Liga Árabe, o porta-voz do grupo, Amr Moussa, disse que é preciso "interromper imediata e completamente" a violência, que ele classificou de "criminosa".
- Buscamos uma unidade nacional na Palestina e somos contra os eventos que testemunhamos nos últimos dias - disse Moussa.
Ele acrescentou ainda que os países árabes querem "servir à causa palestina e não a uma facção contra a outra".
A Liga Árabe decidiu formar uma comissão que vai dar apoio aos representantes da Arábia Saudita e do Egito que tentam intermediar um acordo de paz entre o Fatah e o Hamas.
Fim da união
Na quinta-feira, ao fim de seis dias de violentos confrontos entre os dois grupos rivais, Abbas dissolveu o governo de união entre o Hamas e o Fatah, decretou estado de emergência e destituiu o primeiro-ministro Ismail Haniya (que pertence ao Hamas).
Os confrontos dos últimos dias levaram a uma divisão de poder nos territórios palestinos. O Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, depois de ter derrotado os militantes do Fatah.
Até este sábado, o grupo de Abbas mantinha apenas o domínio sobre a Cisjordânia.
O governo de união entre o Hamas e o Fatah foi criado três meses atrás para tentar superar o boicote internacional ao Hamas, que controla o Parlamento desde que venceu eleições democráticas no início de 2006.
Desde que venceu as eleições, o Hamas, que não reconhece Israel e se recusa a renunciar à violência, vem sofrendo pressões internacionais. Os Estados Unidos e a União Européia consideram o grupo uma organização terrorista.
Apesar das declarações de Meshaal, o premiê destituído, Ismail Haniya, rejeitou as medidas de Abbas. Haniya disse que ainda é primeiro-ministro legítimo e que Abbas agiu ilegalmente ao dissolver o governo de união.
Abbas afirmou que iria governar por decreto até a realização de novas eleições.