Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Confrontos em Basra e El Amara deixam cinco rebeldes mortos

Cinco milicianos do Iraque morreram e cerca de dez pessoas ficaram feridas em violentos enfrentamentos registrados neste sábado entre partidários do clérigo radical xiita Muqtada al Sadr e tropas britânicas em Basra e El Amara, no sul do Iraque. Os combates em Basra deixaram um saldo provisório de dois iraquianos mortos, vários civis feridos e um soldado britânico também atingido por um disparo de bala, disse um porta-voz militar na cidade, capital da região sul, onde os confrontos armados atingiram uma gravidade sem precedentes no pós-guerra. (Leia Mais)

Sábado, 08 de Maio de 2004 às 07:39, por: CdB

Cinco milicianos do Iraque morreram e cerca de dez pessoas ficaram feridas em violentos enfrentamentos registrados neste sábado entre partidários do clérigo radical xiita Muqtada al Sadr e tropas britânicas em Basra e El Amara, no sul do Iraque.

Os combates em Basra deixaram um saldo provisório de dois iraquianos mortos, vários civis feridos e um soldado britânico também atingido por um disparo de bala, disse um porta-voz militar na cidade, capital da região sul, onde os confrontos armados atingiram uma gravidade sem precedentes no pós-guerra.

Milicianos do Exército Mehdi, leais a Muqtada, realizaram a partir da manhã deste sábado uma série de ataques contra as forças britânicas. Centenas de seguidores do clérigo, armados com fuzis de assalto e lança-granadas, se posicionaram em vários bairros e estabeleceram postos de controle nas principais avenidas.

Segundo testemunhas, os milicianos abriram fogo contra várias patrulhas britânicas no centro de Basra, que repeliram as agressões, antes que explosões sacudissem a cidade, a maioria das ruas ficassem desertas e as lojas fossem fechadas.

Enquanto isso, uma multidão armada se concentrava nos arredores da sede da Companhia Petrolífera do Sul, no centro urbano, onde a troca de tiros de armas automáticas com os soldados britânicos se repetiu.

As ações ocorreram depois de um dos ajudantes de Muqtada lançar, nesta sexta-feira na mesquita de Al Haui, um chamamento à Jihad (Guerra Santa) contra as tropas britânicas.

O xeque Abdel Satar al Bahadli disse em seu sermão que quem capturasse uma soldado inglesa poderia ficar com ela como escrava. O clérigo também ofereceu recompensas pela captura ou pela morte de qualquer integrante do Conselho de Governo Iraquiano, na primeira ocasião em que um ativista contra a ocupação faz este tipo de oferta contra membros da nova instância do poder local.

Al Bahadli, que reuniu cerca de 3 mil fiéis em torno de seu púlpito, também ofereceu dinheiro pela captura dos soldados britânicos destacados em Basra, vivos ou mortos. A cabeça de cada soldado britânico foi posta a prêmio por 100 mil dinares (aproximadamente 80 dólares). A captura de um deles com vida será paga com 250 mil dinares (175 dólares).

Em nenhum momento o clérigo se separou de seu fuzil de assalto Kalashnikov, com o qual incitou a multidão aos gritos de "Alá Akbar" (Deus é o maior).

Enquanto isso em El Amara, 200 quilômetros ao norte de Basra, o exército britânico entrou em um dos escritórios de Muqtada, o que provocou uma verdadeira batalha campal no centro da cidade, onde em janeiro deste ano já haviam sido registradas manifestações populares contra a ocupação. Pelo menos outros três milicianos morreram no enfrentamento e dois soldados britânicos ficaram feridos.

Este novo capítulo de tensões suscitadas por Muqtada ocorre no momento em que o sentimento dos iraquianos contra os ocupantes atinge seu nível mais alto desde a invasão do país, há mais de um ano.

Esta semana, os enfrentamentos entre o exército americano e as milícias de Muqtada nas cidades santas xiitas de Najaf, Karbala e Kufa, ao sul de Bagdá, exacerbaram o antiamericanismo da população xiita, que totaliza cerca de 60 por cento dos habitantes do país.

Fontes diplomáticas disseram à EFE que esta espiral de violência pode ser atribuída à chegada do enviado especial da ONU para o Iraque, Lakhdar Brahimi, que avaliará a situação antes da transferência da soberania, prevista para 30 de junho.

De acordo com as fontes, os insurgentes teriam o objetivo de fazer uma demonstração maciça de força ante a presença do enviado do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, a quem consideram um mero agente da ocupação.

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