Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Confrontos com a polícia deixam mais de mil feridos no Egito

Quarta, 29 de Junho de 2011 às 12:33, por: CdB

Força policial impediu o prosseguimento de um ato em homenagem às vítimas da revolta que derrubou Hosni Mubarak

 

 

29/06/2011

da Redação

 

Mais de mil pessoas ficaram feridas em confrontos com a polícia na madrugada desta quarta-feira (29) nos arredores da praça Tahir, no Cairo, capital do Egito. A informação é do Ministério da Saúde egípcio.

A ação policial teve início durante um ato que homenageava as vítimas da revolta iniciada em 25 de janeiro e que derrubou o ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro. A força policial impediu o prosseguimento da manifestação, o que resultou nos confrontos, que se estenderam até a praça Tahir, palco da revolta contra o ditador.

Os policiais utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar os 4 mil egípcios que protestavam. Para se defender, os manifestantes atiraram pedras contra a força policial.

Os egípcios estão insatisfeitos com a forma como a junta militar tem conduzido a transição do país, após a queda de Mubarak. A junta militar convocou eleições legislativas para o mês de setembro. O futuro Parlamento se encarregará de redigir uma nova Constituição antes das eleições presidenciais, previstas para ocorrerem até o final do ano.

Em um referendo realizado no dia 19 de março deste ano, 77% dos egípcios apoiaram a reforma da Constituição do país, que estabelece eleições legislativas e presidenciais como passos a serem seguidos para a instauração de um governo civil.

O Movimento 6 de Abril, grupo que encabeçou os protestos que derrubaram Mubarak, convoca o povo egípcio a dirigir-se à praça Tahir para que se inicie uma greve geral por tempo indeterminado com o objetivo de que se cumpram suas demandas. Ainda assim, o movimento pondera que as manifestações previstas para o próximo dia 8 de julho sejam adiantadas para esta quinta-feira (30).

Os egípcios também pedem rapidez no julgamento dos policiais atuaram em favor do regime durante os protestos do início do ano, bem como dos integrantes do governo do ditador.

Uma das bandeiras defendidas pelos manifestantes durante os protestos desta quarta-feira foi a demissão de Mohamed Hussein Tantawi, o chefe do conselho militar.

No último domingo (26), já havia ocorrido um choque entre a polícia anti-motim e dezenas de manifestantes, na sua maioria familiares das vítimas da revolta contra Mubarak, em frente ao tribunal que julgava o antigo ministro do Interior do país, Habib el-Adli.

O julgamento do ditador Hosni Mubarak está marcado para 3 de agosto. Ele é acusado de homicídios premeditados e corrupção. Além disso, será julgado pela repressão dos protestos que levaram ao fim do seu regime e que provocaram a morte de mais de 800 pessoas, podendo ser condenado à pena de morte.

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