Um grupo de manifestantes protestava em frente ao Palácio Guanabara, na noite desta quinta-feira, e foi atingido com bombas de gás lacrimogêneo. Segundo participantes do protesto, que tentavam fugir da nuvem de gás, a porta de vidro de uma clínica foi quebrada por balas de borracha e as bombas de gás de pimenta chegaram ao sistema de ar-condicionado da Unidade de Tratamento Intensivo do hospital. Uma paciente, segundo relato dos manifestantes, estava em estado grave. O Palácio Guanabara foi cercado por grades e o trânsito na Rua Pinheiro Machado, interrompido nas duas direções.
O Batalhão de Choque da PM foi acionado e participou de barreiras que foram montadas nas ruas próximas à sede do governo estadual. Em ruas próximas, como a Rua Paissandu, os manifestantes espalharam o lixo de cestas plásticas usados por prédios residenciais para coleta da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb). Algumas pessoas usavam máscaras para não ser reconhecidas.
No Passeio Público Manifestante protesta em frente ao grupamento da PM que estacionou na Cinelândia, Centro do Rio
Um outro grupo de manifestantes e policiais militares voltaram a se enfrentar nesta noite, na Avenida Beira-Mar, próximo ao Passeio Público, depois de deixarem as escadarias da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia, onde estavam concentrados. O grupo, formado basicamente por jovens, chegou a fechar por menos de cinco minutos, duas pistas da Avenida Beira-Mar, sentido Aterro do Flamengo.
A Polícia Militar (PM) usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes e estes revidaram com pelo menos dois coquetéis molotov contra os militares. O Batalhão de Choque já tinha deixado a área central da cidade depois que os manifestantes se concentraram nas escadarias da Câmara Municipal. Durante a manifestação, a Polícia Militar levou para as ruas carros blindados e um carro-pipa usado para dispersar multidão.
Antes, quando os manifestantes estavam nas escadarias da Câmara, apareceu um carroceiro com uma caixa de som, que tocava músicas muito alto e os jovens promoveram uma espécie de baile funk na Cinelândia. Após a manifestação, pode-se verificar um rastro de destruição ao longo da Avenida Chile, onde pelo menos cinco pontos de ônibus tiveram os vidros estilhaçados por pedras portuguesas atiradas pelos manifestantes. Eles também usaram as caixas coletoras de lixo, material altamente inflamável, para fazer fogueiras no meio da rua.
O trânsito foi liberado nas Avenidas Rio Branco e Presidente Vargas, fechadas por cerca de cinco horas, devido a manifestação promovida pelas centrais sindicais, no Dia Nacional de Luta.
Nota de Cabral
Depois de ser vaiado, durante o protesto, o governador Sérgio Cabral divugou nota, na qual afirmou que atos de vandalismo não serão tolerados no Estado:
"Grupos que vão para as ruas com o objetivo claro de gerar o pânico e destruir o patrimônio público e privado tentam se aproveitar das recentes manifestações legítimas de milhares de jovens desejosos de participar e aperfeiçoar a democracia conquistada com muita luta pelo povo brasileiro".
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