Confronto entre manifestantes e policiais fere dezenas no Iêmen
Por Khaled al-Mahdy
TAIZ, Iêmen (Reuters) - A polícia do Iêmen disparou bombas de gás lacrimogêneo e atirou contra dezenas de manifestantes na capital, Sanaa, nesta terça-feira em um esforço para impedi-los de chegar a uma importante rua, informaram fontes médicas e manifestantes.
A maioria dos feridos sofria os efeitos de gás lacrimogêneo e alguns tiveram lesões dos disparos, disse um médico em um hospital improvisado onde os manifestantes estão acampados em Sanaa desde fevereiro.
Os manifestantes atiraram pedras contra policiais e incendiaram um veículo de segurança, disseram testemunhas.
O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir no final do dia para discutir a situação no Iêmen, onde aliados ocidentais e árabes do Golfo temem que o impasse prolongado possa levar a choques entre unidades militares rivais em Sanaa e outras regiões.
Médicos disseram que pelo menos uma pessoa foi morta a tiros e outra ficou ferida em um protesto em Taiz, ao sul de Sanaa, quando manifestantes em todo o país começaram a testar os limites das forças de segurança após três meses de manifestações exigindo o afastamento do presidente Ali Abdullah Saleh.
A polícia reagiu com tiros em Taiz quando manifestantes empilharam pneus em chamas. Eles planejavam fazer uma marcha passando pelo gabinete do governador da província.
"Eles (os manifestantes) estão recorrendo a essa tática para tentar escalar a situação porque sentem que suas reivindicações não estão sendo atendidas," disse Mohammed al-Mohammedi, manifestante em Taiz.
Os manifestantes também gritaram ordens de saudação a soldados de um batalhão leal ao general Ali Mohsen, que enviou tropas para proteger manifestantes em Sanaa, quando passaram ao lado de um posto do exército com as tropas do general.
Nos últimos dias, manifestantes em Sanaa e em Hudeida, porto no Mar Vermelho, também têm tentado marchar fora de suas zonas de protesto tradicionais, fato que levou a choques com a polícia, que tentou contê-los.
Aliados ocidentais do Iêmen e países árabes do Golfo vêm tentando, sem êxito, mediar uma resolução que envolva uma transição do poder e a saída de Saleh, que lidera o país da Península Arábica há 32 anos. Saleh diz que quer entregar o poder, mas apenas a "mãos seguras."
Países ocidentais e árabes vizinhos dizem temer que os choques contínuos no Iêmen, país montanhoso pobre onde Saleh já perdeu o controle sobre várias províncias, possam desencadear caos que beneficiaria uma ala ativa da Al Qaeda que opera no país.
O Conselho de Segurança da ONU planejava reunir-se na terça-feira para discutir a situação do Iêmen, segundo diplomatas. O encontro incluiria um briefing de um alto funcionário do Departamento de Assuntos Políticos da ONU.
Saleh, que aceitou a mediação dos países do Golfo, avisou sobre o risco de guerra civil e fragmentação do país se ele for forçado a sair, ao mesmo tempo em que os manifestantes perdem a paciência com o processo de negociação e se mostram menos dispostos a fazer concessões.
Desde janeiro, mais de 117 manifestantes foram mortos em choques com as forças de segurança. Uma organização de observação da mídia sediada nos EUA disse que um jornalista iemenita que trabalha para um canal de televisão da oposição islâmica está desaparecido depois de ser convocado pelas autoridades.
(Reportagem adicional de Mohammed Ghobari em Sanaa)
Reuters