Pelo menos três traficantes podem ter morrido durante um confronto entre gangues rivais de traficantes, durante a madrugada desta segunda-feira, na Rocinha. Entre os mortos, segundo informações da polícia, não confirmadas pelo Comando Central, estaria Orlando José Rodrigues, o Soul, que assumiu o controle do tráfico na favela com a morte de Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-te-vi, na madrugada de sábado.
Braço direito de Soul, o traficante conhecido como Soldado também teria sido eliminado no confronto realizado na localidade conhecida como valão. O sub-chefe da Polícia Civil, José Renato Torres, chegou a chamar a morte de Soul como um "golpe de Estado". Soul teria assumido o comando do tráfico no morro neste fim de semana, logo após a morte de Bem-te-vi.
A Polícia organiza uma operação para entrar na Rocinha e retirar os corpos. Além de Soul, quatro outros homens teriam sido mortos. Os outros seriam os traficantes conhecidos como Lelelo e Canu, e um homem identificado como Pequeno, que foi enforcado e seria dono do prédio alugado para policiais civis que estavam monitorando Bem-te-vi, o que culminou na morte do bandido.
O policiamento está reforçado nos principais acessos à Favela da Rocinha, assim como em pontos estratégicos. A Secretaria de Segurança Pública não divulgou o número de policiais que participam do policiamento especial.
A madrugada foi tranquila e pela manhã o clima foi calmo na favela. O comércio local funcionou normalmente.
'Carta de Alforria'
O secretário de Segurança Pública, Marcelo Itagiba, afirmou nesta segunda-feira que após a Operação Cavalo de Tróia, em que foram "empregados, exemplarmente, todos os recursos de inteligência e força necessários para prender o chefe do tráfico na Rocinha, que morreu ao resistir à prisão, as polícias permanecem no trabalho de enfraquecimento bélico e financeiro do tráfico e de retirada de circulação dos criminosos daquela comunidade".
- Com a prisão e as mortes em confrontos dos três últimos chefes do tráfico na Rocinha, já são três as cartas de alforria dadas pela polícia àquela comunidade, formada em 99,9% por pessoas honestas, ordeiras e trabalhadoras - disse.
Marcelo Itagiba afirmou, ainda, que o combate ao tráfico exige também a conscientização dos consumidores de drogas.
- A comunidade precisa se conscientizar de que possui condições de se impor e viver sem a presença desses criminosos, bastando apoiar a política de combate ao tráfico, denunciando os bandidos, para que eles sejam presos e levados às barras da justiça. Enquanto os usuários não se conscientizarem de que se tornam escravos do vício e propiciam aos traficantes o fortalecimento financeiro para a compra de armas de guerra que vitimam inocentes, a polícia continuará intensificando as suas ações, para defender a sociedade - afirmou Itagiba.
A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Segurança Pública esclarece que, até o momento, não se confirmaram as informações de que, numa desavença interna, quatro traficantes da Rocinha teriam sido mortos por comparsas na madrugada desta segunda-feira. Os setores de inteligência da secretaria estão checando os informes. A PM fez uma busca na Rocinha, na tarde de hoje, mas nenhum corpo foi encontrado.
De acordo com o delegado Luís Antônio Ferreira, titular da 25 DP (Rocha), que realizou as investigações que culminaram no cerco e na morte em confronto do traficante Bem-te-vi, são improcedentes as informações de que teria sido morto o proprietário do imóvel alugado pela polícia para monitorar o movimento da quadrilha na favela. Segundo o delegado, o dono do imóvel não mora na Rocinha e não sabia que alugara o apartamento a policiais.