Forças do exército iraquiano dizem ter assumido o controle sobre a refinaria de Baiji
Forças do governo do Iraque entraram em confronto com rebeldes sunitas pelo controle da maior refinaria do país neste quinta-feira, enquanto o primeiro-ministro Nuri al-Maliki aguardava uma resposta para o pedido de que os Estados Unidos realizem ataques aéreos para enfraquecer os insurgentes. A gigante refinaria de Baiji, a 200 km da capital Bagdá e perto da cidade de Tikrit, virou campo de batalha, enquanto tropas leais ao governo do país, controlado por xiitas, continham o avanço de insurgentes do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês) e seus aliados, que haviam atacado a área na quarta-feira, ameaçando o fornecimento de energia do país.
Um porta-voz do governo disse por volta do meio-dia, horário local, que suas forças "controlavam completamente" a refinaria, mas testemunhas no local disseram que os combates continuavam e que militantes do Isil ainda estava presentes. Um dia depois de o governo iraquiano fazer um pedido público por ajuda da força área dos EUA, havia indicações de que as autoridades em Washington estão céticas da eficiência deste tipo de ação, dado o risco de mortes civis que poderiam enfurecer ainda mais a minoria sunita do país.
Aliados dos EUA na região pareciam propensas a desencorajar ataques aéreos. O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, um aliado da Otan, disse que "não vê tais ataques positivamente", dado o risco para civis.
Uma fonte na Arábia Saudita disse que potências ocidentais acertaram com Riad, principal governo sunita na região, que o necessário na região é uma mudança política e não uma intervenção de fora.
Conversa com Irã
Nesta manhã, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse que os EUA estão interessados em se comunicar com o Irã para compartilhar informações sobre as insurgências sunitas que se espalham pelo Iraque, mas que Washington ainda não gostaria de trabalhar em conjunto com Teerã na abordagem da crise.
– Estamos interessados em nos comunicar com o Irã. Para que os iranianos saibam o que estamos pensando, para que nós saibamos o que eles estão pensando, e para que ocorra uma troca de informações e evitemos cometer erros – disse Kerry em entrevista exibida pelo canal norte-americano NBC News.
Mas, perguntado se os EUA considerariam trabalhar lado a lado com o governo xiita do Irã, Kerry respondeu:
– Não. Não estamos sentados contemplando como faremos isso, ou se faremos isso. Isso não está em discussão – acrescentou Kerry.
Kerry respondeu uma outra pergunta sobre a possibilidade de ataques aéreos ao Iraque dizendo que "nada está fora de questão", e que "todas as opções" ainda estão disponíveis ao presidente Barack Obama, que está ponderando sobre como responder à rebelião. Autoridades iraquianas já pediram publicamente o apoio aéreo dos Estados Unidos para ajudar a reprimir a insurgência do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês) e seus aliados. Até agora, Washington não deu indícios de que aceitou ajudar com os bombardeios.
Obama também tem recebido crescentes pedidos de parlamentares norte-americanos para convencer o primeiro ministro xiita do Iraque, Nuri al-Maliki, a renunciar ao cargo. O mandatário é visto pelos congressistas como um líder ineficiente, que não inclui a etnia sunita em seu governo e com isso potencializa as insurgências que ameaçam o país.
– O que os EUA estão fazendo é em relação ao Iraque, e não em relação a Maliki. Nada que o presidente Obama decida será destinado especialmente ao primeiro-ministro Maliki. Estamos focados no povo do Iraque – afirmou Kerry na entrevista, que foi gravada na noite de quarta-feira.
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