Conflitos no Malaui matam 11 e presidente pede calma
Por Frank Phiri
BLANTYRE, Malaui (Reuters) - Pelo menos 11 pessoas morreram em confrontos entre manifestantes e policiais durante uma onda de protestos contra o presidente do Malaui, Bingu wa Mutharika, disseram fontes oficiais e parentes de uma das vítimas na quinta-feira.
Henry Chimbali, funcionário do Ministério da Saúde, confirmou dez mortes na cidade de Mzuzu (norte), onde manifestantes vandalizaram na quarta-feira a sede regional do Partido Democrático Progressista, de Mutharika.
Familiares disseram à Reuters que um homem morreu também depois de ser baleado em Blantyre, principal cidade do sul, onde policiais e soldados usaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que exigem a renúncia do presidente.
Em Lilongwe, a capital, forças de segurança entraram em choque com manifestantes pelo segundo dia na quinta-feira, segundo uma rádio local, mas não há relatos de mais vítimas.
A polícia não confirmou o número de mortos. A violência -- inclusive com relatos da Anistia Internacional de que várias crianças de 13 anos teriam sido baleadas -- deve intensificar a fúria popular contra Mutharika neste país da África meridional.
O presidente, ex-economista do Banco Mundial que foi eleito pela primeira vez em 2004, fez um pronunciamento em rede nacional para pedir calma, afirmando que estava feliz por ouvir queixas de adversários que o acusam de ignorar liberdades civis e arruinar a economia.
"Parem com a violência e vamos sentar para conversar", disse ele. "Eu tenho uma responsabilidade, baseada nos poderes delegados a mim pela Constituição, de impor a lei e a ordem", acrescentou no pronunciamento de 12 minutos.
Mutharika governou por seis anos de relativa paz e um acelerado crescimento econômico, alimentado pela ajuda internacional. Mas a situação começou a degringolar neste ano, quando o presidente se viu envolvido numa polêmica diplomática com a Grã-Bretanha, maior fornecedora de ajuda financeira ao país, devido ao vazamento de um documento diplomático que se referia a ele como "autocrático e intolerante a críticas".
O incidente levou à expulsão do embaixador britânico de Lilongwe. Em resposta, a Grã-Bretanha também expulsou o representante do Malaui de Londres e suspendeu a ajuda de 550 milhões de dólares pelos próximos quatro anos, o que provocou um rombo no orçamento do Malaui.
Reuters