Em 2005, de acordo com levantamento produzido pela Comissão Pastoral da Terra, houve uma redução no número de conflitos de terra registrados no Brasil. No entanto, praticamente não houve mudanças consideráveis no número de pessoas mortas durante os conflitos, o que inclusive aumentou. Entre janeiro e agosto deste ano, 28 pessoas morreram em decorrência da violência no campo, uma a mais do que no mesmo período de 2004, quando foram registradas 27 mortes. Metade das mortes ocorreram no Estado do Pará, onde foi assassinada a missionária norte-americana, naturalizada brasileira, Dorothy Stang. A missionária, que apoiava projetos de desenvolvimento sustentável, foi morta a mando de fazendeiros e madeireiros.
Para a CPT, a impunidade seria a causa principal do número elevado de mortes em conflitos no campo. A comissão cita como exemplo o recente habeas corpus concedido, no dia 23 de setembro, pelo Supremo Tribunal Federal, ao coronel Mário Pantoja, condenado pela morte de 19 trabalhadores em Eldorado de Carajás, 1996.
A boa notícia é que, nos oito primeiros meses de 2005, houve redução de 44% na quantidade de conflitos, que passaram de 1.416 para 794. E apesar de também ter havido queda no número total de pessoas envolvidas, proporcionalmente os conflitos estão atingindo maior quantidade de pessoas. Ainda de acordo com levantamento, foram registradas ainda 27 tentativas de assassinato, 114 ameaças de morte, 2 pessoas torturadas, 52 agredidas fisicamente, 144 presas e 80 feridas.