Rio de Janeiro, 01 de Maio de 2026

Conflito agrário faz mais dois sem-terra assassinados

Dois trabalhadores rurais, Vanderlei Macena Cruz e Mauro Gomes Duarte, que viviam no Acampamento Renascer, na Gleba Gama, em Nova Guarita, interior do Mato Grosso, foram assassinados enquanto iam para o trabalho em uma moto e, segundo nota da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgada nesta segunda-feira, a causa foi o conflito de terras na região. (Leia Mais)

Segunda, 21 de Novembro de 2005 às 10:52, por: CdB

Dois trabalhadores rurais, Vanderlei Macena Cruz e Mauro Gomes Duarte, que viviam no Acampamento Renascer, na Gleba Gama, em Nova Guarita, interior do Mato Grosso, foram assassinados enquanto iam para o trabalho em uma moto e, segundo nota da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgada nesta segunda-feira, a causa foi o conflito de terras na região. Eles foram encontrados na estrada que passa na divisa entre as terras griladas pelos fazendeiros Silmar Kessler e Sebastião Neves de Almeida, conhecido como Chapéu Preto. 

As vítimas foram localizadas por outro trabalhador, Moacir, que estava há aproximadamente 300 metros do local e ouviu os tiros. Moacir chamou outras pessoas do acampamento e quando chegaram ao local os corpos já estavam sem vida. Somente à noite, a polícia militar dirigiu-se ao local para tomar providências, deixando os corpos na estrada durante todo o dia.

A Gleba Gama é uma área pública da União Federal, com cerca de 16 mil hectares, e conforme Portaria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), deve ser destinada ao assentamento de aproximadamente de 336 famílias. Porém, a área encontra-se grilada por mais de 40 fazendeiros. Seis deles, Sinvaldo Santos Brito, Sebastião Neves (Chapéu Preto), Silmar Kessler, Ladir Jacomelli, Aldo Micheli e Genir Marsango, detêm a posse ilegal de aproximadamente 12 mil hectares. Em 02 de junho de 2003, cerca de 350 famílias montaram o Acampamento Renascer, localizado na fazenda grilada por Chapéu Preto.

A situação das famílias de trabalhadores rurais sem terra é crítica, segundo a CPT. Os trabalhadores rurais são constantemente alvo de graves ameaças e violências praticadas pelos grileiros e suas milícias privadas, compostas por guachebas (pistoleiros) e policiais.
Nos dias 11 e 12 de outubro deste ano, o grileiro conhecido como Chapéu Preto atacou com sua milícia armada o acampamento Renascer. Foram praticados atos de violência e ameaças, chegando ao requinte de espancar trabalhadores rurais com arame farpado. Na mesma ocasião, o fazendeiro Ladir Jacomelli despejou as famílias que estavam na área por ele grilada e se apropriou ilegalmente de todos os pertences dos trabalhadores. Os trabalhadores chegaram a apreender uma arma, cuja numeração indicou ser de um policial. Chapéu Preto ainda é acusado pelo Ministério Público Estadual por utilizar trabalho escravo em sua fazenda.

 Conforme informações do prefeito de Nova Guarita, Antonio José Zanatta, que também é uma das vítimas das ameaças de morte, já foram contabilizados seis homicídios de trabalhadores rurais e defensores de direitos humanos na localidade. Outra vítima de ameaças é a representante da CPT na região, Irmã Leonora Brunetto, que, nos últimos dias, teve que ser retirada do município para ter sua vida assegurada. As diversas ameaças de violações de direitos humanos fizeram com que uma comissão do Programa Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República realizasse uma visita à região para verificar os fatos. A comissão, além de ouvir trabalhadores rurais em quatro acampamentos localizados em Nova Guarita, realizou audiências com diversas autoridades.

Durante as diligências, as denúncias foram prontamente confirmadas. A gravidade da situação foi discutida em reunião realizada no Fórum da Comarca de Terra Nova do Norte, no dia 27 de outubro deste ano, com a presença do juiz de direito Wladus Roberto Freire do Amaral, da promotora de Justiça Hellen Uliam Kuriki, do prefeito de Nova Guarita, Antônio José Zanatta, do delegado da Polícia Federal Diógenes Curado Filho, da representante da 14ª Subseção da OAB-MT Marisa Teresinha Vesz, da representante da CPT Irmã Leonora Brunetto, e dos representantes do Programa Nacional de Defensores de Direitos Humanos da SEDH, Ailson Silveira Machado e Darci Frigo.
Os presentes concluíram que "a solução definitiva do conflito relativo a

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