Um confronto entre fazendeiros e integrantes do MST em Rio Branco, município 465 quilômetros a oeste de Cuiabá, deixou duas pessoas feridas ontem de madrugada. O incidente aconteceu na fazenda Eldorado, de propriedade da família Soukef Campos. Ambos os lados se acusam mutuamente. Os sem-terra falam que foram recebidos a bala. Já os proprietários dizem que foi o MST quem atirou primeiro.
Neste sábado pela manhã, o clima continuava tenso, com os sem-terra ameaçando invadir a sede, onde permaneciam retidas sete pessoas da família, entre elas um dos sócios, Jean Soukef Campos, e sua mãe Márcia. Segundo a polícia, eles estavam proibidos de sair da casa. De acordo com o comandante do núcleo da PM de Rio Branco, cabo Jones da Silva Oliveira, cerca de 50 soldados e outros 15 policiais civis precisaram ser deslocados até a fazenda, que tem 1,5 mil hectares e fica a pouco mais de um quilômetro do centro da cidade.
Até o fechamento dessa edição apenas uma pessoa ferida havia sido identificada, ainda que pelo apelido. Trata-se de Zé do Burro, que trabalhava como cabelereiro no acampamento. Ele teria recebido um tiro de cartucheira, mas seu estado era considerado bom. Sobre o outro havia poucas informações. A família fala que se trata de um funcionário. O MST garante que é sem-terra.
O trabalhadores rurais estão acampados em parte da fazenda desde agosto de 2002. "Dias atrás eles soltaram o nosso gado e plantaram roça. Depois colocaram o gado deles", relatou José Carlos Campos, primo dos donos da fazenda.
Já os sem-terra dizem que na semana passada os fazendeiros teriam roubado 35 cabeças de gado que atendiam ao acampamento. O confronto aconteceu porque, segundo o MST, os acampados resolveram reaver os animais nessa madrugada. "Não havia interesse nenhum em ferir ninguém. Só queríamos recuperar nosso gado", disse Mizeal Barreto, um dos coordenadores estaduais do movimento.
No final da manhã, a Secretaria de Segurança Pública havia enviado um coronel para negociar a saída dos sem-terra. Mas de acordo com Mizael Barreto, os acampados só iriam deixar a área com a presença do secretário de Segurança Célio Wilson de Oliveira. O superintendente do Incra em Cuiabá, Leonel Wohlfahrt, também era aguardado. "O pessoal só sai depois que as autoridades aparecerem por lá", disse Barreto.