Como era esperado, os xiitas venceram as eleições no Iraque. A Aliança Iraquiana Unida, formada por mais de 20 partidos xiitas, obteve 48% dos votos.
Em segundo lugar ficou a Lista da Aliança Curda com 25,4% dos votos, e em terceiro o Acordo Nacional Iraquiano, partido do atual primeiro-ministro interino Ayad Allawi, que obteve 13,6% dos votos válidos.
Os resultados ainda são "provisórios", pois os partidos têm três dias de prazo para apelar. Segundo os dados divulgados pela Comissão Eleitoral iraquiana, 58% dos eleitores registrados votaram nas eleições de 30 de janeiro.
A eleição acaba de vez com a hegemonia dos sunitas no poder durante todo o tempo de ditadura de Saddam Hussein. Eles não compareceram às urnas a pedido de vários líderes políticos e religiosos, com o objetivo de colocar em dúvida a legitimidade da eleição. Contudo, não havia como o resultado ser diferente, mesmo que os sunitas votassem em massa, visto que o Iraque tem uma população 60% xiita e 30% sunita.
A vitória xiita consolidou o poder do maior líder espiritual do país, o grão-aiatolá Ali Sistani que apoiou a coalizão vencedora. E deixou o atual governo, apoiado pelos EUA e pelo Reino Unido em uma posição ruim, com pouco mais de um entre dez eleitores aprovando sua administração.
A Aliança Iraquiana Unida vai ficar com uma boa parte das 275 cadeiras na assembléia e deve nomear o primeiro-ministro.
Mas os xiitas não terão poder absoluto. Terão que negociar com os curdos, vistos como os grandes aliados no momento e também com os sunitas.
A primeira tarefa da assembléia nacional do país será eleger um conselho presidencial formado por três pessoas. Esse conselho necessitará da aprovação de dois terços dos parlamentares, e por isso será obrigatório os xiitas fazerem alianças.
O objetivo maior da nova assembléia - mais importante até que a do próprio governo - é estabelecer uma nova constituição e abrir caminho para a realização de eleições gerais em dezembro.
Portanto, terão de haver negociações. Os sunitas estão por trás da atual onda de violência no Iraque. Chamá-los para participar do governo é necessário e vital para que o país tenha um período de paz.
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