O consumidor brasileiro mostrou-se menos otimista pelo terceiro mês consecutivo em abril, de acordo com sondagem da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada nesta terça-feira.
Diminuiu a porcentagem de consumidores que avaliam a situação econômica atual da família como boa, passando de 15,4 % em março para 13,1 % em abril.
A parcela de pessoas que a consideram ruim subiu de 24,7 para 28,6% ento em abril. A diferença das respostas --de menos 15,5 pontos percentuais, comparando os que avaliam a situação como boa e os que a vêem como ruim-- é a pior desde agosto de 2004.
"Essa deterioração está relacionada com a desaceleração da economia e, de certa forma, com a incerteza sobre os rumos da economia nos próximos meses", disse a jornalistas Aloísio Campelo, responsável pela pesquisa.
"A incerteza é provocada pelo próprio governo, que tem uma política monetária contracionista e uma política fiscal e creditícia expansionista. Esses movimentos contraditórios criam dúvidas quanto ao crescimento."
O número de consumidores que espera melhora do cenário econômico do país nos próximos seis meses aumentou após três meses de queda, mas o total dos que estimam piora também registrou alta, embora em menor ritmo.
A parcela de consumidores que acredita em melhores dias subiu de 37,6 % em março para 40,0 % em abril. A dos que estimam piora, de 14,2 para 14,8 %.
"A confiança do consumidor está em declínio em relação à situação atual, o que tem a ver com a desaceleração da economia... e há uma estabilidade em relação ao futuro", acrescentou Campelo.
Nos dois meses anteriores, ao apurar a queda da confiança do consumidor pela primeira vez desde abril passado, os economistas da FGV já haviam culpado o aperto monetário e a acomodação recente dos indicadores econômicos, como os de emprego, pela situação.
A sondagem apontou ainda que apenas 7,1 % dos consumidores acreditam que será mais fácil encontrar emprego nos próximos seis meses, ante 9,2 % em março.
O resultado de abril é o mais baixo da série, que começou em outubro de 2002.
A parcela dos que acreditam que será mais difícil encontrar emprego subiu, de 49,4 para 55,4 % --o nível mais alto desde abril do ano passado.
"A pesquisa tende a antecipar os rumos da economia. O sentimento do consumidor em abril já está afetado... os dados oficiais de emprego que ainda não são conhecidos devem mostrar esse sentimento", avaliou Campelo.
A sondagem foi feita entre os dias entre 5 e 20 de abril.