Rio de Janeiro, 22 de Fevereiro de 2026

Conferência paulista prioriza regulamentação da Emenda 29

Cobrar urgência do Congresso Nacional em regulamentar a Emenda Constitucional 29 e defender o Sistema Único de Saúde (SUS) são os pontos de maior ênfase entre os participantes da 5ª Conferência Estadual de Saúde de São Paulo. (Leia Mais)

Sábado, 06 de Outubro de 2007 às 10:05, por: CdB

Cobrar urgência do Congresso Nacional em regulamentar a Emenda Constitucional 29 e defender o Sistema Único de Saúde (SUS) são os pontos de maior ênfase entre os participantes da 5ª Conferência Estadual de Saúde de São Paulo. A regulamentação da Emenda 29 mereceu ato público de protesto nesta sexta, no segundo dia da conferência. A etapa regional terminará neste sábado, nas dependências do Centro de Exposições Center Norte, na capital paulista.

A etapa regional faz parte da preparação para a discussão da 13ª Conferência Nacional de Saúde, que acontecerá em novembro em Brasília. De acordo com Maria de Lourdes Rodrigues, coordenadora do comitê de comunicação na conferência, delegada e Conselheira Estadual da Saúde do Segmento Usuários, já se esgotou o prazo de cinco anos que o Congresso teve para regulamentar a emenda aprovada em 2000.

“A Emenda 29 é importante para vincular os recursos e definir o que são ações e serviços de saúde. Alguns pontos viraram portaria do ministério e uma resolução do Conselho Nacional de Saúde, mas isso não basta. É preciso definir, por exemplo, que o saneamento, apesar de ser importante e de ser um fator condicionador da saúde, não deve ser considerado saúde e suas verbas não devem sair da verba da saúde dos estados e municípios”, explicou.

Rodrigues explica que a defesa do SUS, entre os participantes, é a defesa de sua construção histórica. “O SUS foi aprovado na 8a Conferência Nacional de Saúde de 1986 e todo o capítulo da saúde da Constituição de 1988 foi feito com base nas propostas dessa conferência. Nos últimos 20 anos, o que se tem feito no Brasil é lutar pela implantação e efetivação do SUS enquanto direito. Direito da população a uma saúde pública universal, eqüitativa e com qualidade. A defesa do SUS é a defesa dessa escolha da sociedade e essa defesa é também se contrapor à privatização da saúde e da gestão privada da saúde.”

Wander Geraldo da Silva, presidente da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), palestrou no evento e defendeu a valorização do SUS. “As entidades que representam os usuários e os trabalhadores na saúde devem intensificar os debates em sua base social, para mostrar que o SUS é uma vitória, que a gente não pode retroceder. E que a participação e o controle sociais são fundamentais para que isso [retroceder] não aconteça”, disse à Agência Brasil.

Questionado sobre as principais propostas ou pontos em discussão e quais serão levadas à Conferência Nacional, Cássio Figueiredo, que participou como gestor da prefeitura de São Paulo, disse que “A principal é discutir a missão do SUS”.

“Nós estamos aqui na conferência trazendo à tona todo o amadurecimento que o SUS teve até este momento. Acho que essa é uma discussão fundamental. Outra [proposta] são as questões que envolvem financiamento [que será definido pela regulamentação da Emenda 29] que é também fundamental. Outra é que estamos caminhando para assinar o pacto de gestão, o pacto de defesa do SUS e o pacto pela vida. Eu defendo que eles tem que estar como pauta da conferência”, elencou. Sobre a Emenda 29, Figueiredo diz que ela “define a questão do financiamento, você poder ter mais recursos é questão que é praticamente consenso de todos os municípios”.

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