Se os governos devem apoiar os softwares de fonte aberta, como o Linux, em vez dos softwares comerciais como o Windows da Microsoft foi tema de um debate, na última quarta-feira, em uma conferência da ONU sobre o estreitamento da chamada divisão digital entre países ricos e pobres.
Samuel Guimarães, secretário-executivo do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, disse a representantes dos governos nas sessões de abertura do encontro, a Cúpula Mundial sobre Sociedade da Informação, que os softwares de fonte aberta, ou livres para compartilhamento, são cruciais para o mundo subdesenvolvido, porque permitiriam que países pobres desenvolvessem suas tecnologias em vez de importá-las.
O Brasil, com o apoio da Índia, África do Sul e China, queria que os representantes apoiassem o software de fonte aberta como a melhor forma de estreitar a lacuna tecnológica.
Mas apesar de a linguagem declarando o software de fonte aberta como uma importante opção estar em um comunicado dos representantes, ela foi diminuída consideravelmente depois da pressão de países industrializados, disseram participantes da conferência.
O setor de informação e tecnologia das comunicações do Programa de Desenvolvimento da ONU aconselha os governos que querem usar o software de fonte aberta sobre como ele pode se tornar base para o desenvolvimento local.
Mas Raoul Zambrano, assessor do programa, disse que o escritório alerta os países a não pedirem o software para seus governos porque o objetivo deve ser criar escolha e competição.
O programa pretende abrir um centro regional na Europa no próximo ano para oferecer apoio a países dos Bálcãs e do Mar Báltico sobre a questão.
Veni Markovski, assessor de tecnologia do presidente búlgaro, disse ter pedido ajuda à ONU porque achou que o governo havia gastado muito dinheiro em produtos da Microsoft. A Microsoft negou a sobretaxa.
A influência da Microsoft é tão grande, disse Markovski, que "o usuário final, o cidadão, não tem escolha e o governo não tem escolha".
A Microsoft confirmou, na última quarta-feira, que está negociando com o programa da ONU sobre como trabalharem juntos de forma mais eficaz. A companhia, que prometeu investir US$ 1 bilhão em projetos para ajudar a diminuir o abismo digital, disse que não vai exigir que seus softwares sejam usados em tais projetos.
"As pessoas têm o direito de escolher, e nós apoiamos isso", disse Claudia Toth, porta-voz da Microsoft.
"É difícil para muitas agências e grupos quando a Microsoft oferece softwares para escolas e governos", disse Peter Dravis, um consultor que escreveu um relatório sobre software de fonte aberta para o Banco Mundial.
Mas ele afirmou que há uma crescente demanda para esse tipo de software, e que os acordos da Microsoft com os governos não garantem seu domínio de mercado.