Rio de Janeiro, 08 de Agosto de 2026

Condoleezza Rice compara dirigente liberiano a Saddam Hussein

Quinta, 03 de Julho de 2003 às 16:04, por: CdB

A conselheira de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, comparou, nesta quinta-feira, o presidente liberiano, Charles Taylor, com o deposto presidente iraquiano, Saddam Hussein, e insistiu que sua renúncia ao poder é imprescindível para estabilizar a Libéria. - Não havia nenhuma dúvida de que Saddam Hussein era uma ameaça na região, por não falar da ameaça que representava para seu povo. E Charles Taylor é uma ameaça para seu povo e há muitos líderes da região preocupados com suas atividades - disse Rice. A conselheira de Segurança Nacional compareceu à imprensa para informar da viagem que levará o presidente americano, George W. Bush, a cinco países africanos (Senegal, África do Sul, Botsuana, Uganda e Nigéria) entre 7 e 12 de julho. Rice reiterou a posição da Casa Branca de que Taylor deve renunciar e abandonar o país, e o acusou de atrocidades, de "ter levado o país a situação em que está agora" e de ter estendido a desestabilização na região. Sobre o possível envio de tropas dos Estados Unidos para participar das tarefas de pacificação, a conselheira disse que "o presidente não tomou uma decisão sobre o enfoque e a tática para ajudar a ONU e os poderes regionais a enfrentar a situação". A Casa Branca decidiu nesta quinta-feira adiar a decisão de enviar uma força militar, à espera de que seja esclarecido o futuro de Taylor, cuja renúncia é exigida por Washington. A rede de televisão CNN informou nessa quarta que Bush assinaria em breve a autorização para o envio imediato de 500 a mil marines da Marinha, que esperam uma decisão presidencial numa base militar da Espanha. Sobre o futuro de Taylor, Rice reconheceu que há contatos com ele, mas não quis explicar seu conteúdo: "Obviamente, há conversas confidenciais em andamento, mas não quero entrar em detalhes". Antes disso, o secretário de Estado americano, Colin Powell, havia dito que, nas negociações que levaram ao cessar-fogo em vigor na Libéria, o próprio dirigente liberiano "concordou que (a renúncia) seria um passo adequado" e, por isso, os EUA esperam que ele renuncie. Grupos de defesa de direitos humanos denunciaram a possibilidade de que Taylor, acusado em Serra Leoa de crimes de guerra e crimes contra a humanidade por um tribunal internacional promovido pela ONU, esteja negociando sua saída em troca de imunidade. A organização Human Rights Watch advertiu que "deixar Charles Taylor escapar tornará mais difícil, e não mais fácil, oferecer uma paz duradoura à Libéria" e pediu a Washington que não faça acordos com o dirigente liberiano que o livrem de responder à Justiça.

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