A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, chegou na sexta-feira à Geórgia para demonstrar apoio ao governo local e discutir um plano francês para a retirada das forças russas do país.
– Agora vou conversar com o presidente (georgiano Mikheil) Saakashvili sobre esclarecimentos que os franceses forneceram – disse ela a jornalistas ainda no avião.
– E aí vamos tentar colocar em vigor esse cessar-fogo formal, porque a meta disso é obter um cessar-fogo e fazer as forças russas se retirarem do país assim que possível – acrescentou.
Em meio a relatos de saques cometidos por milícias irregulares, Saakashvili acusou a Rússia de realizar uma "limpeza étnica" contra a população georgiana das repúblicas separatistas da Abkházia e Ossétia do Sul. Chegou a comparar a atual ocupação à humilhação imposta pela Alemanha nazista aos tchecos na década de 1930.
A Rússia diz estar apenas reagindo à "agressão" da Geórgia contra a Ossétia do Sul. Na semana passada, Tbilisi enviou tropas para tentar recuperar o controle dessa região separatista e etnicamente diversa, que desde o começo da década de 1990 goza de autonomia sob proteção de Moscou.
Na sexta-feira, ambas as partes voltaram a trocar acusações. A Geórgia citou as suspeitas, levantadas por uma ONG norte-americana, de que a Rússia estaria usando bombas de fragmentação contra civis. Moscou nega e diz que são os georgianos que deixaram minas terrestres ao desocupar o território nesta semana.
As forças russas não se limitaram a retomar o controle das regiões separatistas, e na sexta-feira permanecem em território georgiano. É a maior demonstração de força do Kremlin fora das suas fronteiras desde colapso da União Soviética, em 1991.
A cúpula militar disse em Moscou que não houve combates nas últimas 24 horas, mas a ONU se diz preocupada com a insegurança na região. Testemunhas viram milicianos ossetianos atacando aldeias e furtando carros.
Os EUA, aliados da Geórgia, acusam a Rússia de querer "punir a Geórgia por ousar tentar se integrar ao Ocidente". Washington alerta para graves consequências caso a ocupação prossiga.
Piorando ainda mais a relação entre EUA e Rússia, a Polônia aceitou formalmente na quinta-feira a instalação de interceptadores norte-americanos de mísseis em seu território, e em contrapartida Washington prometeu reforçar a defesa antiaérea de Varsóvia.
A Rússia teme que esse escudo antimísseis, a ser parcialmente instalado também na República Tcheca, afete o equilíbrio estratégico do Leste Europeu. O representante russo na Otan, Dmitry Rogozin, disse à Reuters que a aprovação polonesa num momento tão delicado mostra que todo o plano está voltado contra Moscou, e não contra o Irã, como dizem os norte-americanos.
– É claro que o sistema de defesa contra mísseis será instalado não contra o Irã, mas contra o potencial estratégico da Rússia – disse Rogozin por telefone.
Condoleezza Rice chega à Geórgia para discutir trégua com a Rússia
A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, chegou na sexta-feira à Geórgia para demonstrar apoio ao governo local e discutir um plano francês para a retirada das forças russas do país. (Leia Mais)
Sexta, 15 de Agosto de 2008 às 07:45, por: CdB