Rio de Janeiro, 05 de Agosto de 2026

Concorrentes atacam o <i>New York Times</i>

Sábado, 07 de Junho de 2003 às 05:27, por: CdB

Concorrentes do diário The New York Times aproveitaram a notícia da demissão de seus dois principais editores para atacar duramente o jornal. Dois tablóides nova-iorquinos chamaram-no de "jornal dos destroços" ("paper of wreckage", parodiando a expressão "paper of record", algo como "jornal de registro histórico", freqüentemente utilizada como aposto ao nome do diário). O mais virulento golpe veio do New York Post, controlado pelo empresário de origem australiana Rupert Murdoch. Em sua capa, o jornal publicou um irônico e crítico anúncio de classificado em busca de candidatos para a vaga de Howell Raines, que deixou na última quinta-feira o cargo de editor-chefe do Times após crise interna deflagrada por fraudes em reportagens do jornal. O texto do anúncio definiu assim as características procuradas: "Editor-executivo para jornal de registro histórico baseado em Manhattan. Francófilo esquerdista com obsessão pela diversidade e jeito para tapar buracos de circulação. Alérgico a republicanos. Tolerância a altos impostos é necessária. Criticismo à América é adicional. Respeito pelos fatos é opcional". A atitude do tablóide complementa um ataque recentemente desferido por outra publicação de Murdoch, a revista Weekly Standard - esta voltada para um público mais qualificado e hoje considerada a leitura preferida no governo americano. Sob o título "O próximo grande jornal da América", William Kristol, uma das principais cabeças do neoconservadorismo do país, defendeu a tese de que o Times não estaria à altura do grande diário de que os EUA precisariam. - As últimas semanas deixaram claro que não há nenhuma esperança real de que o Times, sob seu atual regime, possa se tornar esse jornal - disse Kristol. Escrito antes da saída de Raines e do secretário de Redação, Gerald Boyd, o texto dizia que nem mesmo a demissão dos dois seria capaz de consertar o jornal. "Tudo que sabemos sobre Sulzberger sugere que sua próxima escolha não significaria avanço. A mudança fundamental de regime no 'Times' não está nas cartas. O Times é incorrigível. A questão é se um novo jornal de registro histórico vai substituí-lo". Além das publicações de Murdoch, o diário sofreu críticas na última sexta-feira também de um importante concorrente, o jornal The Wall Street Journal. "Como competidor, tínhamos nos mantido circunspectos sobre os recentes conflitos no New York Times. Mas a demissão de seus dois principais editores na última quinta-feira é uma chance de discutir padrões de jornalismo em geral", escreveu o WSJ em editorial. O diário reclamou principalmente do que considera notícias enviesadas publicadas pelo mais famoso jornal americano. "Nossa visão é que o que temos vistos em sua primeira página nos últimos anos é menos reportagem objetiva e mais jornalismo advocatório. Nesse sentido, o escândalo com as invenções de Jayson Blair é sintomático de um problema maior de credibilidade que não se vai com o sr. Raines". Por outro lado, o Times recebeu afagos do Chicago Tribune, que escreveu em editorial: "A demissão dos dois principais editores do New York Times reflete em grande medida quão seriamente as pessoas que trabalham naquela instituição valorizam sua credibilidade".

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