Quem foi esperto conseguiu conferir em uma só tarde dois filmes do grande cineasta americano Jim Jarmusch. Estranhos no paraíso e seu último longa-metragem Sobre café e cigarros estiveram em cartaz. Estiveram porque Estranhos, seu terceiro filme, integrou a mostra Outros rumos - a reinvenção do road movie, no CCBB e não passa mais (e o pior, ontem, na projeção, o projecionista queimou a película no final - o que nos leva a seguinte pergunta: alguém mais vai ver aquela película?). Já Sobre café e cigarros, um longa-metragem que junta os curtas anteriores do cineasta e mais uns novos sobre o tema (café e cigarros) está sendo exibido no Espaço Unibanco em digital. Conclusão: projeção péssima. É preferível esperar e ver em casa no DVD. Conclusão 2: que diabos, a projeção digital está invadindo o circuito com tudo e as películas sobrevivente estão sendo destruídas.
E, apesar de as duas sessões terem sido problemáticas, foi muito interessante ver o estilo jarmuschiano de apresentar personagens sarcásticos, situações hilárias e uma fotografia meio flertada com a estética noir, mas diferente. Estranhos nos paraíso, assim como Sobre café e cigarros são filmes in doors, repleto de diálogos anedóticos e boas (e bizarras) trilhas sonoras. Jarmusch é um catalisador do underground. Em Sobre café temos participações de Iggy Pop, White Stripes, integrantes do Wu-Tang-Clan, entre outros. RZA, do Wu-Tang já tinha aparecido em Ghost Dog, seu filme anterior, tendo inclusive feito a trilha. Conclusão 3: Jarmusch é um cineasta de música, pop e underground ao mesmo tempo.
É considerável a importância, hoje em dia, de Jarmusch no cinema americano. É um dos únicos autores que emergiram dos anos 80, com um cinema barato, criativo e inteligente. Alguns foram influenciados por sua estética. Kevin Smith em O balconista é um exemplo. Outros cineastas de sua geração, como Hal Hartley, Joel Coen e Steven Soderbergh conseguiram projeções diferentes ao longo dos anos, mas não seguiram de forma tão coerente sua filmografia (de repente Hartley).