Concessão de crédito no Brasil cresce mais de 7% em setembro
As concessões de crédito no Brasil voltaram a crescer em setembro, interrompendo três meses seguidos de queda, após recentes medidas de estímulo adotadas pelo governo, num cenário marcado por crescimento fraco e inflação elevada.
As concessões de crédito no Brasil voltaram a crescer em setembro, interrompendo três meses seguidos de queda, após recentes medidas de estímulo adotadas pelo governo, num cenário marcado por crescimento fraco e inflação elevada.
No mês passado, as concessões no segmento de recursos livres tiveram alta mensal de 7,4%
O cenário futuro, no entanto, é de moderação por conta do início de um novo ciclo de aperto monetário na noite passada, quando o Banco Central surpreendeu e elevou a Selic em 0,25 ponto percentual, a 11,25% ao ano.
No mês passado, as concessões no segmento de recursos livres tiveram alta mensal de 7,4%, maior expansão desde dezembro passado e após mostrarem contração nos três meses anteriores, informou o BC nesta quinta-feira. Levando-se em consideração os recursos totais, incluindo os direcionados, a alta foi de 7,5%.
O BC informou ainda que o estoque total de crédito no Brasil subiu 1,3% em setembro sobre o mês anterior, chegando a R$2,901 trilhões, ou 57,2% do Produto Interno Bruto (PIB), maior ritmo em relação à alta de 0,92% vista em agosto.
Com o objetivo de estimular o mercado de crédito no país, o Ministério da Fazenda e o BC divulgaram medidas em julho e agosto, cujo potencial é de injeção de até R$70 bilhões na economia.
Para o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, altas na Selic têm impacto mais forte no crédito do que as medidas adotadas recentemente. "Uma elevação (da Selic)... tende a ter impacto de moderação na expansão do crédito", acrescentou ele.
Três dias depois de a presidente Dilma Rousseff ser reeleita, o BC surpreendeu e decidiu elevar a Selic na noite passada, alegando que aumentaram os riscos para a inflação.
A alta foi bem recebida por agentes econômicos, que viram no movimento sinal de mudança na política econômica no segundo mandato da petista.
- O crédito deve seguir crescendo em ritmo moderado em linha com nossa projeção para o ano de 12% - acrescentou Maciel.
Selic mais alta encarece os empréstimos que, por sua vez, afeta o consumo.
Inadimplência implacável
Segundo o BC, a inadimplência no mercado de crédito brasileiro no segmento de recursos livres ficou em 5,0% em setembro, igual aos dois meses anteriores. Considerando o crédito total, a inadimplência ficou em 3%, ante 3,1% em agosto.
No período, o spread bancário --diferença entre o custo de captação e a taxa efetivamente cobrada ao tomador final-- foi de 20,9 pontos percentuais também no segmento de recursos livres, abaixo dos 21,2 pontos percentuais vistos em agosto. No crédito total, o spread ficou estável em 12,7%.
Já a taxa média de juros no segmento de recursos livres fechou o mês passado em 31,9%, inferior aos 32,2% em agosto. No crédito total, ficaram em 21,0%, 0,1 ponto percentual a mais do que em agosto.
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