O embaixador do Brasil no Equador, Sérgio Florêncio, afirmou que a concessão de asilo político é um ato jurídico, e não político, e que a permissão dada ao ex-presidente equatoriano Lucio Gutiérrez não implica qualquer julgamento político ou sentimento em relação ao asilado.
"O Brasil teve por objetivo básico contribuir para a paz social no Equador. O governo equatoriano já compreende perfeitamente a posição assumida pelo governo brasileiro, e eu acredito que em breve a população equatoriana terá uma percepção semelhante do gesto brasileiro", disse Florêncio.
Segundo ele, a concessão de asilo a Gutiérrez não afetará as relações entre Brasil e Equador. "O chanceler equatoriano mostrou a maior boa vontade e a firme intenção de continuar a manter relações amistosas e construtivas com o Brasil", afirmou o diplomata brasileiro.
Sérgio Florêncio ressaltou que, no momento em que o processo de asilo diplomático foi concluído e que Gutiérrez deixou o país, não houve mais manifestações em frente à Embaixada do Brasil. O salvo-conduto que autorizou a saída de Gutiérrez do país foi concedido pelo governo do Equador na sexta-feira. O governo brasileiro manteve em sigilo as informações sobre a liberação do salvo-conduto por questões de segurança. O documento era necessário para assegurar a integridade e liberdade do presidente deposto até seu embarque para o Brasil.
O ex-presidente equatoriano chegou a Brasília às 13h30 de domingo, acompanhado da mulher, Ximena Bohórquez, e da filha mais nova do casal, Viviana Estefanía, de 15 anos. Da Base Aérea, Gutiérrez seguiu de helicóptero para o Hotel de Trânsito de Oficiais do Exército, no Setor Militar Urbano (SMU).
Concessão de asilo é ato jurídico, e não político, diz embaixador do Brasil
Segunda, 25 de Abril de 2005 às 17:08, por: CdB