A Rodovia da Soja tem mais de 800 quilômetros e corta o Centro-Oeste brasileiro
A Odebrecht Transport venceu, nesta quarta-feira, o leilão da Rodovia da Soja, a BR-163 (MT), com um deságio de 52% sobre o pedágio máximo definido pelo governo e menos de uma semana após ter conquistado a concessão do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. A subsidiária de um dos maiores grupos privados do Brasil ofereceu uma tarifa de R$ 0,02638 por quilômetro, menos da metade do valor de R$ 0,0550 definido no edital da licitação, atenta às oportunidades de crescimento da região Centro-Oeste do país. Vencia a disputa quem oferecesse a menor tarifa.
Os investimentos previstos na rodovia são de R$ 4,6 bilhões durante os 30 anos da concessão, que tem como um dos principais atrativos o tráfego de caminhões que transportam commodities até portos das regiões Sul e Sudeste.
– Vemos um crescimento naquela região (do Mato Grosso) acima do PIB do Brasil – disse a jornalistas o diretor de rodovias da Odebrecht Transport, Renato Mello, justificando o deságio oferecido pelo trecho de 850,9 quilômetros.
A concessão de rodovias para a iniciativa privada faz parte de um esforço do governo da presidente Dilma Rousseff para melhorar a logística, considerada um dos principais entraves para um crescimento mais forte da economia. O plano inclui ainda portos, ferrovias e aeroportos.
– (O deságio do leilão da BR-163) vai possibilitar que faça esse escoamento (de produção de commodities) com um custo menor – disse a presidente Dilma Rousseff, durante visita a São Francisco do Sul (SC) para inauguração de obras.
O governo corre para realizar outros três leilões de estradas federais até o fim de 2013, dois deles já com data marcada, e avalia outras quatro concessões de rodovias no ano que vem. O ministro dos Transportes, César Borges, comemorou o resultado da licitação desta quarta-feira e disse esperar "resultados semelhantes nos próximos leilões de rodovias".
Questionado sobre o interesse nos próximos leilões de rodovias, o diretor da Odebrecht Transport afirmou apenas que a empresa sempre "irá atrás de bons projetos" e que tem foco no Centro-Oeste. Mello disse ainda que o trecho da BR-163 no Mato Grosso do Sul "é um bom projeto", mas evitou comentar a eventual participação da Odebrecht.
Sete grupos apresentaram ofertas pelo trecho mato-grossense da BR-163. A segunda melhor proposta foi da Triunfo Participações, com deságio de 46%. Ao deixar o leilão desta manhã, o presidente da Triunfo, Carlo Bottarelli, afirmou à agência inglesa de notícias Reuters que participará da licitação na semana que vem da BR-060/153/262 (DF/GO/MG), e que não desistirá "até tocar a campainha" de leilão.
Na semana passada, a Odebrecht Transport venceu com a Changi, operadora do aeroporto de Cingapura, o leilão de concessão do Galeão, com uma oferta de outorga de R$ 19,018 bilhões, quase quatro vezes maior que o mínimo definido pelo governo e mais de 30% acima da segunda melhor proposta.
Na BR-163 do Mato Grosso, a Odebrecht terá que duplicar cerca de 450 quilômetros da rodovia e poderá iniciar a cobrança de pedágio quando concluir 10% das obras. Segundo Mello, a empresa pretende antecipar o cronograma para iniciar mais cedo a cobrança da tarifa. A rodovia terá nove praças de pedágio.
Mais rodovias
Com a licitação da BR-163 do Mato Grosso, o governo Dilma teve sucesso em leiloar mais um lote de rodovia, após ter licitado a BR-050 (GO-MG) em setembro e ter fracassado com a BR-262 (ES-MG), que não recebeu propostas na ocasião.
Além de Odebrecht e Triunfo, os grupos que disputaram a concessão desta manhã foram CCR, Invepar, Galvão Engenharia e dois consórcios liderados por Ecorodovias e Fidens, respectivamente. Em 4 de dezembro ocorrerá o leilão da BR-060/153/262 (DF/GO/MG). No próximo dia 17 será a vez do trecho da BR-163 (MS).
O ministro dos Transportes afirmou que O leilão da BR-040 (DF-GO-MG) deve ocorrer em 27 de dezembro se o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovar nesta quarta o edital. A entrega dos envelopes com propostas ocorreria no dia 23.
O governo ainda avalia outros quatro trechos de estradas federais que podem ser leiloados no ano que vem: BR-101 (BA), BR-116 (MG), BR-153 (GO/TO) e BR-262 (ES/MG). Se as análises apontarem que os lotes não são viáveis como concessão, o governo poderá realizar as obras de duplicação por meio de Parceria-Público-Privada (PPP) ou até mesmo apenas com recursos públicos.
Borges disse que outra alternativa em estudo é repartir alguns dos trechos em lotes menores. O governo separaria, por exemplo, as partes mais e menos atrativas, dando a elas tratamento diferenciado.
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