Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2026

Concentração de terras atrapalha o crescimento do país, diz economista

A concentração de terras nas mãos de poucos proprietários não gera apenas desigualdades sociais, mas também prejuízos econômicos, afirma o italiano Paulo Croppo, assessor da divisão de Desenvolvimento Rural do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação. Croppo participou plenária de abertura do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf), evento paralelo à 2ª Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural. (Leia Mais)

Domingo, 05 de Março de 2006 às 08:20, por: CdB

A concentração de terras nas mãos de poucos proprietários não gera apenas desigualdades sociais, mas também prejuízos econômicos, afirma o italiano Paulo Croppo, assessor da divisão de Desenvolvimento Rural do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação. Croppo participou plenária de abertura do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf), evento paralelo à 2ª Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural.

Ele citou um cálculo do Banco Mundial sobre a concentração fundiária na Índia. O custo de manter essa desigualdade, segundo o estudo, é de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano. O PIB é a soma de todas as riquezas produzidas pelo país em um dado período.

- Reforma agrária e desenvolvimento rural são questões econômicas, não se trata de revolução. É necessário e útil fazer a reforma agrária. É isso que queremos discutir aqui. O modelo, como fazer a reforma, podemos ver depois - disse ele.

Croppo reconheceu as dificuldades políticas de realizar a reforma agrária:

- Basta dizer que em alguns dos lugares onde ela foi mais bem sucedida, no Japão, na Coréia e em Taiwan, foi resultado de uma imposição dos Estados Unidos.

A realização da conferência no Brasil, segundo o técnico da FAO, vai oferecer a estrangeiros de muitos países a oportunidade de ver concretizadas políticas inimagináveis em outras nações atualmente.

- O que para vocês já é normal, no plano internacional não é tão óbvio - disse.

Entre as realizações brasileiras consideradas inovadoras, Croppo destacou os mecanismos participativos na elaboração das políticas públicas, como o próprio Condraf - o qual, segundo ele, em todo o mundo, só encontra similar em um único país, o Peru.

- Quando se fala de agricultura familiar, aqui há políticas concretas, no campo, não é só um termo que está num documento de um organismo internacional. Durante muito tempo, o tema da agricultura familiar não era considerado relevante para o desenvolvimento agrário. Acreditava-se que era possível fazer uma agricultura sem agricultores - afirmou.

A 2ª Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural, evento organizado pelas Nações Unidas em parceria com o governo brasileiro, acontece a partir desta segunda-feira, na capital gaúcha. A plenária nacional do Condraf também termina na segunda.

Tags:
Edições digital e impressa