Os resultados definitivos das eleições legislativas do domingo no Chipre confirmaram a vitória dos comunistas do Akel, que lideram o atual Governo, e mostram a ascensão de novos partidos.
No total, seis formações conseguiram cadeiras nestas eleições nas quais 500.606 cipriotas renovavam seu Parlamento de 56 cadeiras - mais 24 que continuam vagas, reservadas aos turco-cipriotas.
Segundo a apuração definitiva de votos divulgada, nesta segunda-feira, o Akel obteve 18 cadeiras - confirmando assim as previsões de todas as pesquisas - e a classe política cipriota dá como certo uma reedição da coalizão governante anterior. O Partido Democrático (Diko, aliado do Governo) do presidente da República, Tassos Papadopoulos, aumentou de oito para onze cadeiras, e com isso poderá renegociar com o Akel maiores cotas de poder no Executivo.
O terceiro membro da coalizão governante, o movimento social-democrata Edek, também melhorou sua porcentagem e conseguiu cinco cadeiras.
Na oposição, novamente o conservador Disy é o segundo partido mais votado - e obteve 17 cadeiras - enquanto o Euro-KO, cisão do anterior e recentemente formado, conseguiu quatro vagas. Os Verdes - também partido de nova criação - fecham a lista, com apenas uma cadeira.
Conseirando as declarações dos líderes políticos, todo mundo se mostrou satisfeito com os resultados.
O presidente da República, Tassos Papadopoulos, manteve um tom muito institucional, e disse ontem em breve discurso que, "na democracia, não há vencedores e vencidos. Os únicos vencedores são a democracia e a maturidade que as pessoas mostraram".
Como novidades, esta nova câmara - que será constituída em 1º de junho, com a escolha de um presidente - tem oito mulheres e 25 novos nomes.
Os analistas ressaltam que os resultados indicam uma redução da bipolaridade esquerda-direita, com a importância cada vez maior de outros partidos, que podem jogar suas cartas diante da perspectiva de coalizões de Governo.
Embora a ilha esteja dividida entre greco-cipriotas e turco-cipriotas - estes últimos com um Estado proclamado unilateralmente desde 1983, e de fato separados do sul por uma fronteira -, não parece que a reunificação estará entre as prioridades do novo Parlamento.
A classe política parece estar mais atenta às eleições presidenciais de 2008, quando Papadopoulos termina seu mandato.
Rio de Janeiro, 14 de Abril de 2026
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