Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

Comunidades indígenas repudiam pedido de prisão de lideranças

Sexta, 09 de Setembro de 2011 às 12:33, por: CdB

A comunidade indígena do distrito de Cenepa, Peru, está indignada com a atitude do Ministério Público de Bagua, que decretou a prisão dos três líderes indígenas Zebelio Kayap Jempekit, Eloy Anjis Juwau e Andres Diaz Danducho, acusados de participar do sequestro de oito funcionários da companhia minera Afrodita S.A.C. Foi pedido 35 anos de reclusão para os líderes indígenas.

O suposto sequestro teria ocorrido em janeiro de 2009 contra trabalhadores da empresa Afrodite, que faz exploração de ouro na Cordilheira do Condor.

Em entrevista ao jornal diário Ahora, o presidente da Organização para o Desenvolvimento das Comunidades Fronteiras (Odecofro), Zebelio Kayap Jempekit, afirmou está surpreendido com a decisão do Ministério Público.

"O que desconhecem os senhores promotores é que esta empresa há anos vem explorando nossas riquezas de forma ilegal, apesar de reiteradas denúncias que temos feito e continuaremos fazendo para o abuso que está snedo cometido em nossa própria casa. Eles estão explorando o nosso ouro sem qualquer permissão ou autoridade, atentando contra as bacias ondem nascem os rios mais importante desta parte da fronteira norte da Amazonas”.

Ele ainda explica que a comunidade está cansada de esperar uma solução, prometida desde o governo de Alan García, ex-presidente do Peru. E acusa a empresa Afrodita de não ter qualquer autorização para funcionar, fato que já havia sido denunciado anteriormente. Apesar das denúncias, a mineradora continua explorando a região ilegelamente sem ser notificada ou incomodada.

"Tudo o que eles estão fazendo é tapar os grandes atropelos e seguir em cumplicidade com esta empresa dedicada a enganar”, denuncia o líder indígena.

O dirigente expressou ainda, que "todas as organizações e comunidades estão unidas para defender e, se possível, expulsar a empresa do seu território”.

Várias entidades têm manifestado repúdio contra a violação dos indígenas, como mostra o exemplo da organização Regional dos Povos Indígenas da Amazônia Peruana que fizeram um pronunciamento público sobre o caso, pedindo uma posição do poder executivo e judiciário sobre a prisão dos indígenas.

"Não temos a intenção de perturbar a ação da Justiça, mas consideramos que não se pode perseguir, deter nem encarcerar líderes pelo fato de demandar solução aos problemas de seu povo”, manifestaram.

A decisão do Ministério Público causou indignação à comunidade indígena, que prepara uma assembleia para o próximo dia 15 de setembro, onde pretendem organizar todas as suas queixas para, posteriormente, fazê-las chegar ao presidente do Peru, Ollanta Humala.

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