Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Comunidades de Azuay conseguem desmilitarização do Sistema de Água Comunitário

Quarta, 06 de Julho de 2011 às 13:55, por: CdB

As comunidades de Victoria del Portete e Tarqui, ao sul da província equatoriana de Azuay, conseguiram que os militares abandonassem o Sistema de Água Comunitário, ocupado desde o último dia 2 sob a alegação de "atentados”. Milhares de moradores se mobilizaram contra a ocupação e conseguiram que terminasse hoje (6), pela tarde.

Segundo a Rede Comunicação ecuachaski (Regional Sul), milhares de manifestantes se dirigiram à planta de água, localizada no setor de Irquis, próximo ao rio de mesmo nome, que nasce no setor de Kimsakocha. Outro grande protesto ocorreu na cidade de Cuenca, onde os moradores exigiram o fim da militarização.

Com a pressão popular e a mediação de defensores dos direitos humanos, o prefeito de Cuenca, Paúl Granda, seus conselheiros e o gerente geral da Empresa Pública Municipal de Telecomunicações, Água Potável, Rede de Esgotos e Saneamento (Etapa, na sigla em espanhol), Oswaldo Larriva, cederam à reivindicação de desmilitarização do Sistema de Água.

De acordo com a Rede, a militarização da planta de água foi ordenada pelo gerente da Etapa e teve a conivência do governo de Azuay, Humberto Cordero. "Agora o governador de Azuay terá que responder ante as instâncias respectivas sobre a militarização, coisa que se vê somente em governos ditatoriais”, avisam.

As comunidades gerenciam coletivamente o sistema de abastecimento de água há mais de 40 anos. Em comunicado anterior, a Rede caracterizou a militarização como uma guerra por água, declarada pelo governo às comunidades.

"O propósito é atemorizar a comunidade, romper a organização comunitária e preparar o terreno para a mineração de metais (Iamgold) em Kimsakocha, lugar onde nascem vários rios”, denunciam. A Iamgold é uma mineradora transnacional canadense que detém a concessão de mais de 50 mil hectares na região.

Em solidariedade aos moradores, a Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) lançou comunicado em que repudiou a militarização da planta de água. A organização ressaltou que a comunidade tem o direito de gerir o recurso natural, o que vem fazendo há bastante tempo, preservando o rio Irquis das mineradoras.

A Conaie considerou a militarização "uma ação de desconhecimento à prática e direito comunitário na administração e gestão da água” e lembrou o histórico repressor do economista e gerente da Etapa, Oswaldo Larriva. "Em seu período de governador deste governo, foi o responsável por reprimir as manifestações contra a mineração e agora desde a Etapa pretende controlar as águas das comunidades”, declararam.

O Conselho de governo da Confederação dos Povos Kichuas do Equador (Ecuarunari) também se manifestou e lançou nota pedindo solidariedade às comunidades, bem como respeito às instâncias internacionais de Direitos Humanos, citando a Declaração de Direitos dos Povos Indígenas da Organização das Nações Unidas e o Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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